Vorcaro afirma que possível delação pode atingir “núcleo” do governo Lula

Ex-controlador do Banco Master relatou ao gabinete de André Mendonça que pretende revelar relações com integrantes do governo e também denunciou supostos maus-tratos e ameaças durante sua prisão.

Por: Edilberto Araújo | 03/09/2026

Vorcaro afirma que possível delação pode atingir “núcleo” do governo Lula

A cobra começou a fumar (Foto divulgação)

O caso envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ganhou novos contornos nesta semana após o banqueiro afirmar, em depoimento ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que uma eventual delação premiada poderá atingir integrantes do que classificou como o “núcleo” do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (3), Vorcaro prestou depoimento a um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça e a um procurador da República. A reunião teria sido solicitada em caráter de urgência pela defesa do ex-banqueiro.

Durante o depoimento, Vorcaro teria afirmado que estabeleceu relações com pessoas ligadas ao poder político como forma de se proteger diante das dificuldades enfrentadas pelo Banco Master. Ele também teria indicado que, em uma eventual colaboração, pretende relatar situações que, segundo sua versão, ultrapassariam limites de moralidade e legalidade.

Além das possíveis revelações envolvendo autoridades e integrantes do governo, Vorcaro apresentou denúncias sobre o período em que esteve preso. De acordo com seu relato, teria sofrido tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas para não realizar uma delação, inclusive envolvendo agentes da Polícia Federal. As acusações, porém, ainda não foram comprovadas e são contestadas por investigadores.

O episódio aumentou a tensão em torno das investigações relacionadas ao Banco Master e colocou novamente no centro do debate as relações entre empresários, autoridades públicas, Polícia Federal, Ministério Público e integrantes do Judiciário.

A Procuradoria-Geral da República, entretanto, pediu o arquivamento do depoimento relacionado às denúncias de maus-tratos, avaliando que, até o momento, não foram apresentados elementos concretos suficientes para justificar a abertura de uma investigação formal sobre essas acusações.

O ponto central agora é saber se Vorcaro conseguirá formalizar um acordo de colaboração premiada e, principalmente, se apresentará provas capazes de sustentar as declarações feitas no depoimento. Até que isso aconteça, as acusações devem ser tratadas como alegações do ex-banqueiro, e não como fatos comprovados.

O caso promete continuar provocando repercussão política e institucional, especialmente diante da possibilidade de que uma eventual colaboração alcance pessoas próximas ao centro do poder em Brasília.