Acrelândia já foi apresentada como a “cidade da produção”,
um município onde o trabalho do homem e da mulher do campo deveria estar no
centro do desenvolvimento. Mas, para muitos agricultores familiares, essa
imagem parece cada vez mais distante da realidade vivida nas comunidades
rurais.
O produtor não precisa apenas de discurso. Precisa de
assistência técnica, orientação e condições para produzir. A análise de solo,
por exemplo, é uma ferramenta fundamental para saber quais nutrientes são
necessários, corrigir a fertilidade e evitar gastos desnecessários com
adubação. A própria política nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural
(ATER) reconhece a importância de serviços de orientação e acompanhamento
técnico para a agricultura familiar.
Em Acrelândia, uma das reclamações que precisam ser
discutidas é justamente como ampliar esse atendimento técnico ao produtor.
Também existe a questão da mecanização. Quando o agricultor familiar precisa
pagar pela utilização de máquinas da prefeitura, o custo de produção aumenta e
uma parte importante da renda que poderia permanecer na propriedade acaba sendo
comprometida.
O problema não é simplesmente ter ou não ter máquinas. É
preciso discutir um modelo de atendimento que garanta acesso justo aos
equipamentos, principalmente para quem tem pouca capacidade financeira.
Documentos recentes do próprio município reconhecem que ainda existem
necessidades de máquinas e equipamentos para fortalecer a infraestrutura
produtiva rural. Em 2026, a Prefeitura publicou licitação para aquisição de
equipamentos agrícolas e veículos, enquanto também solicitou novos equipamentos
ao Governo Federal.
Também é importante registrar que já houve iniciativas
públicas voltadas ao setor. Em 2025, o município anunciou a distribuição de 75
motocultivadores e 50 motores para produtores rurais, além de programa para
distribuição de calcário e mudas de café para uma demanda mais de 5.000
produtores entre pequeno médio e grande produtor.
Diante disso, a pergunta que fica para a população é outra:
essas ações estão chegando de forma suficiente e contínua a quem realmente
precisa?
A agricultura familiar não pode depender apenas de ações
pontuais, emendas parlamentares ou anúncios. O produtor precisa de
planejamento, assistência técnica permanente, mecanização acessível, estradas
rurais em condições adequadas, mas a que tem ainda deixa na época invernosa
isolados, incentivo à comercialização e políticas que ajudem a transformar
produção em renda.
Acrelândia ainda tem potencial para ser reconhecida pela
força do seu campo. Mas, para isso, é necessário que o poder público trate o
agricultor familiar como parte estratégica do desenvolvimento municipal.
O sonho da “cidade da produção” não precisa ficar no
passado. Mas será necessário transformar promessas em planejamento, máquinas em
serviço efetivo, assistência em presença no campo e produção em renda para as
famílias rurais.