Acrelândia: da “cidade da produção” ao desafio de fortalecer quem produz

Agricultores familiares cobram assistência técnica, análise de solo, mecanização e políticas públicas permanentes para que o campo volte a ser uma das principais forças econômicas do município.

Da Redação | 25/09/2026

Acrelândia: da “cidade da produção” ao desafio de fortalecer quem produz

A realidade (Foto divulgação)

 

Acrelândia já foi apresentada como a “cidade da produção”, um município onde o trabalho do homem e da mulher do campo deveria estar no centro do desenvolvimento. Mas, para muitos agricultores familiares, essa imagem parece cada vez mais distante da realidade vivida nas comunidades rurais.

O produtor não precisa apenas de discurso. Precisa de assistência técnica, orientação e condições para produzir. A análise de solo, por exemplo, é uma ferramenta fundamental para saber quais nutrientes são necessários, corrigir a fertilidade e evitar gastos desnecessários com adubação. A própria política nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) reconhece a importância de serviços de orientação e acompanhamento técnico para a agricultura familiar.

Em Acrelândia, uma das reclamações que precisam ser discutidas é justamente como ampliar esse atendimento técnico ao produtor. Também existe a questão da mecanização. Quando o agricultor familiar precisa pagar pela utilização de máquinas da prefeitura, o custo de produção aumenta e uma parte importante da renda que poderia permanecer na propriedade acaba sendo comprometida.

O problema não é simplesmente ter ou não ter máquinas. É preciso discutir um modelo de atendimento que garanta acesso justo aos equipamentos, principalmente para quem tem pouca capacidade financeira. Documentos recentes do próprio município reconhecem que ainda existem necessidades de máquinas e equipamentos para fortalecer a infraestrutura produtiva rural. Em 2026, a Prefeitura publicou licitação para aquisição de equipamentos agrícolas e veículos, enquanto também solicitou novos equipamentos ao Governo Federal.

Também é importante registrar que já houve iniciativas públicas voltadas ao setor. Em 2025, o município anunciou a distribuição de 75 motocultivadores e 50 motores para produtores rurais, além de programa para distribuição de calcário e mudas de café para uma demanda mais de 5.000 produtores entre pequeno médio e grande produtor.

Diante disso, a pergunta que fica para a população é outra: essas ações estão chegando de forma suficiente e contínua a quem realmente precisa?

A agricultura familiar não pode depender apenas de ações pontuais, emendas parlamentares ou anúncios. O produtor precisa de planejamento, assistência técnica permanente, mecanização acessível, estradas rurais em condições adequadas, mas a que tem ainda deixa na época invernosa isolados, incentivo à comercialização e políticas que ajudem a transformar produção em renda.

Acrelândia ainda tem potencial para ser reconhecida pela força do seu campo. Mas, para isso, é necessário que o poder público trate o agricultor familiar como parte estratégica do desenvolvimento municipal.

O sonho da “cidade da produção” não precisa ficar no passado. Mas será necessário transformar promessas em planejamento, máquinas em serviço efetivo, assistência em presença no campo e produção em renda para as famílias rurais.