PF apura fraudes na emissão de seguro trabalhista
Policia Federal fez busca e apreensão de documentos e aparelhos de denunciados em Cruzeiro do Sul e Rio Branco.
Da Redação | 27/07/2026
isso só mostra a incompetência do estado (Foto: integração Net)
Texto da redação
integraçãonet.com
O deputado federal Roberto Duarte
(Republicanos-AC) pediu à Superintendência da Polícia Federal no Acre que entre
na investigação do ataque ao jornalista Chico Melo, em Cruzeiro do Sul. Para o
parlamentar, a Polícia Civil não reúne condições para conduzir o inquérito com
exclusividade porque a própria corporação aparece nos relatos de intimidação
feitos pelos jornalistas antes da agressão. O pedido foi protocolado por meio
do Ofício nº 0040/2026.
A questão central levantada por
Duarte não está apenas na violência sofrida por Chico Melo, mas no ambiente
político que antecedeu o ataque. Em 17 de julho, cinco dias antes da invasão à
casa do jornalista, Chico e Rogério Wenceslau relataram publicamente, no
programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, ameaças de prisão atribuídas a
integrantes do alto escalão do Governo do Acre.
As ameaças teriam surgido depois
que os dois jornalistas divulgaram suspeitas de desvios na aplicação de
recursos públicos destinados à Expoacre. O caso provocou notas de repúdio do
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e da Federação
Nacional dos Jornalistas.
Roberto Duarte também levou à
Polícia Federal o relato de que Madson Cameli, esposo da governadora Mailza
Cameli, teria feito ameaças aos jornalistas e mencionado influência junto ao
comando da Polícia Civil. A acusação depende de investigação e prova, mas, para
o deputado, impede que a corporação estadual permaneça como única responsável
pelo caso.
“A mesma instituição apontada
como instrumento da intimidação é a que hoje conduz, com exclusividade, o
inquérito instaurado para apurar o ataque”, afirmou Duarte no documento
encaminhado à Polícia Federal.
O parlamentar sustenta que o
problema ultrapassa a capacidade técnica dos delegados, agentes e peritos. A
crise está na falta de distância institucional. A Polícia Civil é subordinada
ao governo estadual, enquanto pessoas ligadas ao núcleo político do governo
aparecem nos relatos apresentados pelos jornalistas.
Nesse cenário, Duarte considera
que a investigação exclusiva da Polícia Civil nasce comprometida por suspeitas
de interferência, limitação das apurações e eventual abafamento de linhas que
possam alcançar integrantes do poder estadual. “A condução da apuração
exclusivamente pela Polícia Civil do Acre compromete a isenção, a credibilidade
e a eficácia da investigação”, escreveu.
O deputado também chama atenção
para o fato de que a abertura do inquérito foi comunicada em nota oficial do
próprio Governo do Estado. Para ele, a circunstância aumenta a necessidade de
uma força externa, com autonomia administrativa e política, capaz de investigar
tanto os executores do ataque quanto possíveis mandantes e interesses
envolvidos.
A entrada da Polícia Federal, na
avaliação de Duarte, permitiria separar a investigação da estrutura citada
pelos jornalistas e afastaria a suspeita de que o caso possa ser controlado
dentro do aparato estadual. Sem essa medida, qualquer resultado produzido pela
Polícia Civil continuará sob questionamento público.
O parlamentar relaciona ainda o
episódio ao processo eleitoral de 2026. Jornalistas ameaçados após fiscalizarem
gastos públicos, em plena disputa política, não representam apenas um caso de
violência individual. O ataque atinge o direito da população acreana de
conhecer denúncias sobre dinheiro público e acompanha uma tentativa de impor
medo a profissionais responsáveis pela fiscalização do governo.
Duarte argumenta que a Polícia
Federal também possui atribuições de polícia judiciária eleitoral. Para ele,
uma possível perseguição contra jornalistas durante o período eleitoral pode
afetar a liberdade de informação e a normalidade do debate político no Acre.
O pedido não atribui culpa
definitiva a qualquer pessoa. A cobrança do deputado é por uma investigação
fora da estrutura estadual citada nas denúncias. O ponto levantado por Roberto
Duarte é direto: uma instituição mencionada em relatos de intimidação não pode
investigar sozinha um crime cometido contra quem fez as acusações.