Condenações por corrupção e o desafio à confiança do eleitor acreano
Debates sobre candidaturas de políticos condenados reacendem discussões sobre a Lei da Ficha Limpa, a confiança nas instituições e a responsabilidade do voto nas eleições de 2026.
Por: Nesio Carvalho Mendes | 05/07/2026
O Estado do Acre o verdadeiro Gibão (Foto: Alder Marques)
Quem Está Pagando a Conta
Sozinho?
O Estado do Acre possui um
orçamento bilionário destinado à educação e à infraestrutura. No entanto,
quando o assunto é o transporte dos estudantes na capital, a Prefeitura de Rio
Branco tem arcado praticamente sozinha com essa despesa.
Muitos políticos e lideranças
comunitárias cobram constantemente da gestão municipal melhorias relacionadas
ao transporte urbano. Porém, poucos mencionam que, há quase seis anos, a
Prefeitura de Rio Branco subsidia as passagens dos estudantes da rede pública
estadual, destinando milhões de reais para garantir que esses alunos utilizem o
sistema público de transporte.
Essa responsabilidade não deveria
recair exclusivamente sobre o município. Nos demais municípios acreanos, é
comum existir uma parceria entre Estado e prefeituras: os ônibus escolares
estaduais transportam alunos das escolas municipais e, em contrapartida, os
veículos municipais atendem estudantes da rede estadual. Trata-se de uma
cooperação equilibrada, que beneficia a educação e fortalece a gestão pública.
Na capital, entretanto, a
realidade é diferente. A Prefeitura tem assumido os custos das gratuidades e
dos subsídios destinados aos idosos, às pessoas com deficiência e também aos
estudantes. Enquanto isso, segundo o argumento apresentado neste texto, o Estado
não contribui financeiramente para compensar o transporte dos alunos da sua
própria rede de ensino.
Diante desse cenário, surge um
questionamento: por que o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa não
discutem uma forma de dividir essa responsabilidade? Os recursos utilizados
pela Prefeitura para custear esse serviço fazem falta em outras áreas importantes
da administração municipal.
Atualmente, são aproximadamente
60 mil estudantes beneficiados. Com o novo valor técnico da tarifa, que
ultrapassa R$ 11,00 por passageiro, torna-se fácil calcular o volume de
recursos próprios que a Prefeitura precisa destinar semanalmente para manter esse
sistema funcionando.
A empresa que iniciará a operação
do transporte coletivo na capital receberá R$ 11,29 por passagem. No entanto, o
usuário pagará apenas R$ 3,50 ao embarcar. A diferença, de R$ 7,79 por
passageiro, será custeada pela Prefeitura por meio do chamado subsídio
tarifário.
Na prática, isso reduz o custo
direto para a população. Entretanto, o subsídio é financiado com recursos
públicos, ou seja, no final das contas, todos os contribuintes do município
participam desse pagamento.
Diante dessa realidade, fica a
pergunta:
Por que o Governo do Estado não
assume o pagamento do vale-transporte dos estudantes das escolas estaduais?
É importante lembrar que a
presença dos alunos nas escolas influencia diretamente os recursos recebidos
por meio do Fundeb. Assim, o argumento apresentado é que, ao custear o
transporte desses estudantes, a Prefeitura contribui para que o Estado mantenha
sua arrecadação vinculada à educação.
Seria importante que a sociedade
acreana conhecesse essa realidade e refletisse sobre a distribuição dessas
responsabilidades, especialmente quando apenas um dos entes públicos assume uma
parcela significativa desse custo.
Este texto não pretende defender
qualquer lado. Seu objetivo é apresentar uma situação que, na visão do autor,
merece maior debate público e mais transparência.
Cobrar apenas de um ente é mais
fácil. O desafio é discutir responsabilidades compartilhadas e buscar soluções
que beneficiem toda a população.
Compartilhe esta informação para
ampliar o debate e permitir que mais pessoas conheçam como funciona o
financiamento do transporte público e dos estudantes em Rio Branco.