Que moral tem Gonet para pedir nulidade de relatório que compromete Moraes o ditador do STF

O procurador da república Paulo Gonet defendeu nulidade de relatório da PF com mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, a que ponto chegou o procurador de querer acobertar a corrupção do banco Master e seus aliados.

Por: Edilberto Araújo | 05/09/2026

Que moral tem Gonet para pedir nulidade de relatório que compromete Moraes o ditador do STF

Que Brasil é esse ate o procurador entrou no balaio de gato da corrupção (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O procurador da república Paulo Gonet não perdeu tempo. Mesmo ainda na terça-feira 01/09, quando o Brasil inteiro nem tinha terminado de digerir todo o conteúdo das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, cujo sigilo havia sido retirado pelo ministro André Mendonça, o procurador-geral da República defendeu a nulidade completa do relatório da Polícia Federal, tentando matar ainda no nascedouro uma eventual investigação sobre possíveis crimes que poderiam ter sido cometidos pelo ministro, como tráfico de influência, advocacia administrativa, obstrução de Justiça ou até corrupção passiva.

Ocorre que o procurador da república Paulo Gonet não tem a menor legitimidade e moral se não do ponto de vista jurídico, no mínimo do ponto de vista moral para tentar travar qualquer providência envolvendo Daniel Vorcaro. Como a pressa é inimiga da perfeição, Gonet só conseguiu encontrar um argumento bastante pedestre para tentar blindar Moraes: o de que Mendonça teria atropelado o procedimento legal, já que apenas o plenário do STF possui competência para processar, julgar e autorizar investigações contra seus próprios integrantes.

Mas o que Gonet ignora, ou quer ignorar, é que Mendonça não atropelou nada, pois ele não abriu nenhuma investigação contra Moraes. O investigado era e sempre foi Vorcaro; uma vez que surgiram nos elementos periciados as referências a Moraes, Mendonça fez o que o rito manda: pediu esclarecimentos justamente para que pudesse submeter ao plenário como ele já prometeu que fará um pedido para que Moraes passe a ser investigado.

Uma manifestação tão apressada e tão primária só reforça a sensação de que tudo o que o procurador-geral deseja é colocar uma pedra sobre o assunto o quanto antes. Não lhe faltam razões para isso, e são essas mesmas razões que o desqualificam como procurador da república.

“A proximidade demonstrada nas mensagens entre procurador-geral e banqueiro basta para colocar em dúvida sua imparcialidade”.

Que havia algum nível de relacionamento entre o dono do Banco Master e o procurador-geral da República já era algo sabido desde que o nome de Gonet apareceu na lista bastante seleta dos convidados para a degustação do caríssimo uísque Macallan, em um clube londrino, em abril de 2024. E, ainda que a maior parte do relatório preparado pela PF a pedido de Mendonça trate das mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, o procurador-geral também está nele, e o que consta no documento não é nada abonador.

As trocas de mensagens entre Gonet e Vorcaro, feitas por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares, mostram a animação do procurador-geral com os eventos exclusivos do banqueiro, e indicam o pagamento de ao menos uma viagem a um filho de Gonet.

O procurador-geral realmente gostou da experiência londrina, a ponto de, quase um ano depois, afirmar que estava com “saudades” do banqueiro e, ao conversar com o advogado sobre um novo encontro na capital britânica, responder com um “Oba!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!” Poucos dias depois, numa nova troca de mensagens entre Ciro e Vorcaro, o advogado questiona:

“Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”, ao que o banqueiro responde: “Óbvio, né?”. Em seguida, Vorcaro recebe de uma funcionária do Master uma lista de nomes para que ele aprove o pagamento das despesas de viagem, e responde com um “Pedro e Ciro ok” Pedro, no caso, seria Pedro Gonet, filho do procurador-geral.