Projeto de compra de voto para 2026 é aprovado por deputados da direita e STF permanece em silêncio

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que, na prática, abre caminho para a compra de votos nas eleições de 2026

Por: Edilberto Araújo | 03/02/2026

Projeto de compra de voto para 2026 é aprovado por deputados da direita e STF permanece em silêncio

(Foto: Douglas Magno/AFP)

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que, na prática, abre caminho para a compra de votos nas eleições de 2026, sob o disfarce de programa social emergencial. A proposta recebeu apoio de parlamentares que se dizem de direita, mas que, mais uma vez, votaram contra os princípios que afirmam defender: moralidade, responsabilidade fiscal e respeito à Constituição.

O projeto cria benefícios concentrados em ano eleitoral, sem critérios técnicos claros, levantando fortes suspeitas de uso da máquina pública para fins eleitorais. Alguns Juristas e críticos apontam que a medida fere diretamente o artigo 14 da Constituição Federal, que garante a liberdade do voto e proíbe qualquer tipo de influência indevida sobre o eleitor.

Apesar da gravidade, o Supremo Tribunal Federal (STF), sempre tão rápido para se manifestar em outros temas políticos, até o momento não se pronunciou sobre a evidente inconstitucionalidade da proposta. O silêncio do STF causa indignação e reforça a percepção de seletividade institucional.

Para especialistas na área de política e de direito, trata-se de um retrocesso democrático, que transforma políticas públicas em moeda de troca eleitoral, mantendo a população refém de benefícios temporários enquanto problemas estruturais seguem sem solução.

O episódio também expõe uma contradição grave: deputados eleitos com discurso conservador e anticorrupção acabam se alinhando a práticas historicamente usadas para manipular eleições no Brasil. Em 2026, o eleitor precisa estar atento quem vota a favor da compra indireta de votos não defende democracia, defende poder.

O alerta está dado. O voto livre está sob ataque, desta vez com aval do Congresso e silêncio das instituições que deveriam proteger a Constituição.