Congresso, STF ou Banco Central: em qual desses o povo deve confiar no Brasil saqueado pelo PT?
O Brasil virou refém de instituições desacreditadas. Sob a gestão do PT, a corrupção volta a assombrar o país
Por: Wesley Oliveira/Juliet Manfrin | 06/02/2026
((Foto: EFE/Andre Borges))
A operação Zona Cinzenta,
deflagrada nesta sexta-feira (6) pela Polícia Federal, colocou no centro das
investigações o diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva
Lemos indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Antes de ser apadrinhado para o comando da autarquia, Lemos já havia atuado
como tesoureiro em pelo menos duas campanhas do senador amapaense.
A PF apura aplicações do fundo de
previdência de servidores do Amapá feitas em 2024 que somam quase R$ 400
milhões em letras financeiras do Banco Master. A reportagem apurou com uma
fonte ligada à investigação que elas foram aprovadas em menos de 20 dias,
apesar de o fundo ter recebido alertas de risco do Ministério Público Federal
(MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Além disso, dois membros do
conselho de investimentos da Amprev foram contrários ao investimento e
recomendaram nova consulta ao TCU, segundo atas públicas de reunião analisadas
pela Gazeta do Povo.
Davi Alcolumbre não é investigado
e seu nome não apareceu até o momento nas investigações. O senador foi
procurado nesta sexta-feira (6) pela reportagem e sua assessoria divulgou nota
afirmando que ele confia nas instituições e defende apuração com transparência
e respeito ao devido processo legal, afirmando esperar que “os verdadeiros
culpados sejam punidos na forma da lei”.
O senador não respondeu a
questionamentos sobre sua relação pessoal com Jocildo Lemos, presidente da
Amprev. No último dia 29, a Gazeta do Povo havia publicado reportagem apontando
a ligação de Lemos com Alcolumbre. A assessoria do senador disse na ocasião que
não há envolvimento direto dele na indicação ou nas decisões de investimento do
fundo. “É falsa e irresponsável qualquer tentativa de vincular o presidente do
Senado a essas nomeações ou decisões”, afirmou a assessoria em nota.
A Amprev afirmou se considerar
prejudicada pelas irregularidades atribuídas ao Banco Master e disse buscar o
ressarcimento integral dos valores investidos. Lemos foi procurado pela
reportagem, mas não respondeu aos contatos para se pronunciar.
Alcolumbre não figura entre os
investigados, mas o avanço da apuração aproxima o escândalo do Master do Senado
e pressiona o presidente da Casa a aceitar a abertura de uma Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito sobre o caso. O parlamentar é responsável por
convocar sessões do Legislativo capazes de destravar a instalação da CPMI.
Desde o início de fevereiro, Alcolumbre não se manifestou publicamente sobre a
CPMI do Master e, segundo interlocutores, tem adiado a decisão para depois do
Carnaval.
A oposição sustenta que há uma
“operação abafa” em curso. Um requerimento com 281 assinaturas já foi
protocolado nesta semana, mas depende de leitura em sessão do Congresso para
que a comissão seja instalada. A convocação dessa sessão é uma prerrogativa de
Alcolumbre.
O senador Eduardo Girão (CE),
líder do Novo no Senado, elevou o tom após a operação no Amapá na manhã da
sexta-feira (6) onde Lemos foi alvo de mandado de buscas e teve o telefone
celular apreendido.
“Após duas operações no Rio de
Janeiro, com direito à prisão do presidente da RioPrev, hoje foi a vez de a
Polícia Federal visitar o Amapá, mirando indicado de Alcolumbre na Amprev, que
aplicou R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master”, disse à Gazeta
do Povo.
Para o parlamentar, “mais do que
nunca”, Alcolumbre, como presidente do Congresso, tem o dever de abrir uma CPI
ou uma CPMI sobre a maior fraude do sistema financeiro do país. “Ambos os
requerimentos já têm número suficiente há semanas”, afirmou.