Congresso, STF ou Banco Central: em qual desses o povo deve confiar no Brasil saqueado pelo PT?
O Brasil virou refém de instituições desacreditadas. Sob a gestão do PT, a corrupção volta a assombrar o país
Por Adolfo Sachsida | 12/01/2026
No clássico de Rudyard Kipling, O
Homem que Queria Ser Rei, dois aventureiros descobrem que o poder, quando
sustentado por mitos e pelo medo, pode transformar homens comuns em figuras
quase divinas até que a realidade cobre seu preço. A história não é sobre
coragem ou heroísmo, mas sobre a embriaguez do mando, sobre o instante em que
alguém deixa de servir a uma comunidade e passa a exigir dela submissão.
Transportada para o Brasil de hoje, a fábula ganha contornos inquietantemente
familiares.
Na nossa versão tropical, o
cenário não é uma região remota do Afeganistão, mas Brasília. O trono não é
feito de ouro, mas de decisões judiciais, canetadas administrativas e discursos
de salvação moral. E os personagens centrais não são aventureiros estrangeiros,
mas figuras conhecidas do poder nacional: Lula e Alexandre de Moraes.
Lula, o líder carismático que
retorna ao centro do palco como alguém ungido pela História, apresenta-se como
o intérprete exclusivo da vontade popular. Seu discurso carrega a promessa de
redenção: sem ele, o país estaria condenado; com ele, qualquer meio se
justifica em nome de um suposto “bem maior”. Como no filme, a narrativa não se
sustenta apenas na força, mas no encanto na ideia de que o líder não pode ser
questionado, apenas seguido.
Alexandre de Moraes, por sua vez,
assume o papel do guardião do reino. Não governa pelo voto, mas pela autoridade
que se expande a cada questionamento legítimo que lhe é feito. Quando Moraes é
confrontado com qualquer questionamento, por mais legítimo e sincero que seja,
sua resposta é indubitavelmente a mesma: dobra a aposta no arbítrio. Seu poder
cresce não por limites claros, mas pela exceção permanente.
“Em nome da ordem,
relativiza-se o direito; em nome da democracia, suspendem-se garantias; em nome
da lei, aceita-se o arbítrio”
Assim como no filme, a população
é convencida de que o medo é necessário e que a obediência é virtude.
O ponto central da obra, e da
analogia está na confusão entre autoridade legítima e poder absoluto. No filme,
o “rei” cai quando se revela humano. No Brasil, o risco é mais profundo: quando
instituições passam a agir como se fossem infalíveis, quando líderes se veem
acima da crítica e juízes acima da Constituição, a queda não é individual é
institucional.
A democracia não morre de uma
vez. Ela se esvazia aos poucos, enquanto parte da sociedade aplaude, outra
silencia e uma terceira é calada. O mito do salvador seja político, seja togado
sempre cobra um preço alto: a renúncia à liberdade em troca de uma promessa de
estabilidade.
O Homem que Queria Ser Rei
termina como toda boa tragédia: com a lembrança de que nenhum poder sobrevive
quando se divorcia da realidade. Resta saber se, no Brasil, aprenderemos com a
ficção ou se insistiremos em repeti-la como farsa, até que o custo seja pago
por todos.