O Acre vive uma crise de emprego e renda do país a falta de política agrícola pode ser o ponto de partida dos governos acreanos

Em vez de apoiar o produtor rural, as três esferas de governo cobram taxas, insumos e serviços, sufocando a atividade que deveria ser a base do desenvolvimento começando por agricultura familiar

Por: Edilberto Araújo | 11/09/2026

O Acre vive uma crise de emprego e renda do país a falta de política agrícola pode ser o ponto de partida dos governos acreanos

Que ajuda tem o homem do campo hoje por parte do município? (Foto divulgação)

O Acre e seus 22 municípios atravessam hoje uma crise em emprego e renda no Brasil na área rural. Dados recentes revelam que o estado lidera índices negativos de geração de postos de trabalho na área rural, mas falamos sobre o incentivo ao agricultor da agricultura familiar, queda de renda familiar e desigualdade econômica, um cenário que não surgiu por acaso, mas sim pela ausência de uma política agrícola consistente, que deveria ser o motor da economia acreana.

A agricultura familiar, que poderia ser o início de tudo: o ponto de partida para riqueza, ocupação e desenvolvimento, encontra-se abandonada e sobrecarregada. Em vez de unir esforços nas três esferas de Poder, federal, estadual e municipal, para apoiar, incentivar e fortalecer quem produz, o que se vê é o oposto: cada entidade cobra mais exemplo prefeitura, taxando o agricultor com hora maquinas e encarecendo a produção até tornar-se quase impossível de se manter na agricultura familiar.

Cobra-se diesel do agricultor que trabalha na agricultura familiar, cobra-se hora máquinas, isso é falta apoio a agricultura familiar.

O produtor rural acreano da agricultura familiar, que já enfrenta dificuldades naturais como distâncias, logística precária e condições climáticas, precisa hoje arcar com custos que deveriam ser retirados ou subsidiados pelo os três governo, federal, estadual e municipal. Entre os encargos que mais pesam estão, o governo federal já faz sua parte doa as maquinas:

Taxação sobre o óleo diesel utilizado na produção e no transporte da safra, insumo essencial que tem seu custo aumentado por impostos e taxas estaduais e federais;

Cobrança por horas de uso de máquinas e equipamentos agrícolas, mesmo quando esses bens são adquiridos ou disponibilizados com recursos do Governo Federal;

Acumulo de taxas, tarifas e encargos que recaem sobre a atividade rural da agricultura familiar, sem correspondente em retorno, assistência técnica, infraestrutura ou programas de escoamento da produção.

É legítimo perguntar: se as máquinas chegam por meio de investimentos e recursos federais ou do próprio município, por que o pequeno produtor deve pagar por usá-las? A lógica deveria ser incentivar a produção da agricultura familiar não transformar cada ferramenta de desenvolvimento em uma fonte de cobrança para o estado e município.

Por que chegamos até aqui?

A resposta é clara: a falta de uma política agrícola unificada e de apoio real ao setor da agricultura familiar. Em vez de somar esforços, as esferas de governo transferem responsabilidades entre si. A cobrança de mais taxas em vez de oferecer mais apoio, mais estrutura e mais crédito barato levou a agricultura familiar do Acre ao ponto em que se encontra hoje estagnada, encarecida e sem perspectiva de crescer.

Com isso, o produtor da agricultura familiar se desanima, a produção cai, poucos empregos são gerados e a renda de toda a população diminui. É um ciclo vicioso: cobra-se para produzir, encarece-se o produto, reduz-se a margem de lucro e abandona-se a atividade. Sem agricultura forte, não há movimento no comércio rural, não há renda nas cidades do interior e não há desenvolvimento que se sustente.

O caminho de volta: é apoiar em vez de cobrar

Para reverter a pior situação de emprego e renda do país, o Acre precisa começar por onde tudo deveria começar agricultura familiar: valorizar a agricultura e quem produz. Isso significa:

✅ Reduzir, ou seja, isentar o diesel e horas maquinas;

✅ Disponibilizar máquinas e equipamentos públicos sem custos ao produtor da agricultura familiar, especialmente aquele de menor porte;

✅ Criar e executar uma política agrícola estadual e municipal clara, com assistência técnica, armazenagem e estradas de qualidade que permitam escoar a produção;

✅ Parar de transferir ao produtor da agricultura familiar o custo de investimentos que deveriam ser feitos pelo Poder Público governo federal estadual e municipal.

A pior fase do Acre em emprego e renda pode ser o alerta necessário. Se o Governo Federal entrega meios para produzir no meio rural, ou seja, agricultura familiar, os governos Estadual e Municipais não deveriam transformar esses meios em fonte de cobrança. A hora é de apoiar, não de taxar. De incentivar, não de sufocar. Porque quando a agricultura familiar cresce, o Acre cresce junto com emprego, renda e dignidade para todos os municípios acreanos.