Congresso, STF ou Banco Central: em qual desses o povo deve confiar no Brasil saqueado pelo PT?
O Brasil virou refém de instituições desacreditadas. Sob a gestão do PT, a corrupção volta a assombrar o país
Por: Deltan Dallagnol | 28/01/2026
((Foto: Victor Piemonte/STF))
No dia 16 de abril de 2024, o
ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma
entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, na qual fez o seguinte
comentário a respeito da operação Lava Jato: “Os combatentes da corrupção no Brasil
gostam muito de dinheiro”. Qual foi a razão? Um acordo para recuperar valores
para os cofres públicos, em que os integrantes da Lava Jato não receberam e não
receberiam um centavo sequer.
Contudo, o acordo serviu de
pretexto para Gilmar atacar a reputação da Lava Jato e seus integrantes, em sua
cruzada contra quem combatia a corrupção. Gilmar já havia dito algo parecido
antes e, desde então, não se cansou de repetir a mesma expressão mundo afora,
em entrevistas e participações em convescotes chiques no exterior. Será que
Gilmar agiu de boa-fé, ainda que equivocado? Será que havia algum princípio ou
valor que ele queria defender?
Pois bem: nesta semana, o portal
Metrópoles revelou que o escritório de advocacia do ex-ministro do STF e
ex-ministro da Justiça de Lula, Ricardo Lewandowski, recebeu um total de R$
6,25 milhões do Banco Master, por meio de pagamentos mensais de R$ 250 mil. O
contrato seria, supostamente, para a prestação de serviços de consultoria embora
ninguém saiba, efetivamente, quais serviços teriam sido prestados. Já achou
isso um escândalo? Calma, que piora.
Mesmo após a saída de Lewandowski
do escritório para assumir um cargo no governo, o contrato foi mantido e, nos
dois anos seguintes, os pagamentos feitos aos filhos de Lewandowski somaram
mais de R$ 5 milhões. Isso aconteceu durante o período em que Lewandowski era
ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal (PF) a mesma corporação que passou a investigar as
fraudes bilionárias de Daniel Vorcaro e do Banco Master. É, quase literalmente,
o investigado pagando o investigador.
É fácil imaginar a conversa
durante o jantar na casa de Lewandowski no dia em que Malu Gaspar revelou, no
jornal O Globo, que o contrato de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre
de Moraes, com o Banco Master, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões,
totalizando quase R$ 130 milhões em três anos. A família Lewandowski deve ter
ficado horrorizada, mas pelas razões erradas. Afinal, percebeu que o valor do
contrato dos parentes do coleguinha era mais de dez vezes maior do que o seu
próprio. Como se diz na internet: problema de gente rica.
Mas vamos repetir a parte mais
escandalosa da notícia, para não perdermos o essencial de vista: o Banco
Master, investigado por uma das maiores fraudes bancárias da história recente com
prejuízos bilionários e impacto direto sobre milhares de investidores e sobre o
Fundo Garantidor de Créditos, pagava, mês a mês, cifras que alcançavam milhões
de reais à família do ministro da Justiça, que era o chefe da polícia que
investigava o Master.
“A família Lewandowski deve
ter ficado horrorizada, mas pelas razões erradas. Afinal, percebeu que o valor
do contrato dos parentes do coleguinha era mais de dez vezes maior do que o seu
próprio”
Não há malabarismo retórico capaz
de normalizar isso. É uma questão de ética pública elementar. É aceitável que
filhos do ministro da Justiça recebam R$ 250 mil por mês de uma empresa
investigada pela estrutura que o próprio pai comanda? Em qualquer democracia
séria, isso seria motivo para afastamento imediato e apuração rigorosa. Para a
sorte de Lewandowski, ele deixou o Ministério antes que essa bomba estourasse
em seu colo ou talvez tenha saído justamente por saber que a história vazaria
para a imprensa.
Façamos um exercício simples de
imaginação. Se a imprensa tivesse revelado que a esposa de Sergio Moro recebeu
valores semelhantes da Odebrecht enquanto ele conduzia a Lava Jato, o país
teria parado. Editorial após editorial falaria em escândalo, conflito de
interesses e corrupção sistêmica. Gilmar Mendes aí com razão falaria que os
agentes da Lava Jato “gostam muito de dinheiro”. Nada disso aconteceu na Lava
Jato, mas acontece algo do gênero agora. Gilmar está em silêncio.
As datas não deixam margem para
dúvida. O contrato começou em 2023 e se estendeu até 2025. Nesse período, o
Banco Master já estava no radar das autoridades. Não foi, portanto, um vínculo
remoto ou encerrado antes da posse: foi um fluxo contínuo de dinheiro enquanto
a máquina estatal investigava o pagador. Se isso não acende todos os alertas
institucionais, nada mais acende.
Esse episódio também desmonta,
peça por peça, o discurso moralista que a banda podre do STF e todos sabem quem
é construiu nos últimos anos. Ministros que posam como guardiões da democracia,
da ética e das instituições aparecem, direta ou indiretamente, cercados por
contratos milionários, relações nebulosas e blindagens corporativas. A
distância entre o discurso público e a prática privada nunca foi tão evidente.