Ministra vota para condenar Gladson 25 anos e 5 meses, mas STF pode derrubar decisão

A relatora do processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação do governador do Acre,

Edilberto Araújo | 17/12/2025

Ministra vota para condenar Gladson 25 anos e 5 meses, mas STF pode derrubar decisão

Gladson Cameli, em todas as acusações que pesam contra ele, fixando a pena em 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, além da perda do mandato. O voto representa um dos momentos mais graves já enfrentados por um chefe do Executivo acreano no Judiciário.

De acordo com o voto da relatora, Cameli deve responder por um conjunto de crimes considerados de alta gravidade, cuja soma das penas resultou na condenação expressiva. A ministra foi categórica ao sustentar que as provas reunidas ao longo do processo são suficientes para embasar a condenação integral do governador, reforçando a necessidade de punição exemplar diante da gravidade dos fatos apurados.

Apesar do peso do voto, o julgamento foi interrompido e ainda não teve desfecho definitivo, uma vez que outros ministros do colegiado ainda irão se manifestar. Por meio de nota oficial, Gladson Cameli afirmou que não há resultado conclusivo e voltou a sustentar sua inocência, destacando que o processo segue em andamento no STJ.

Paralelo ao julgamento do STJ, existe um outro processo na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal onde três ministros defendem a anulação de toda operação policial. Os minitros André Mendonça, Nunes Marques e Dias Toffoli discordaram do relator Edson Fachin e defende a nulidade de tudo que foi produzido contra o governador do Acre.

A defesa do governador alegava que não foi observava a prerrogativa de foro e houve o chamado “fishing expedition”, [pescaria probatória de provas] pois “a partir da interceptação de uma conversa fazendo menção ao ‘governador’, a autoridade policial empreendeu manobra para burlar a competência do Superior Tribunal de Justiça e investigar o Gladson perante autoridade manifestamente incompetente, chegando ao absurdo de requerer ao COAF a elaboração de relatórios de inteligência financeira acerca de pessoas físicas e jurídicas estritamente ligadas ao chefe do Palácio Rio Branxo, mas, até então, absolutamente estranhas ao objeto da investigação”.

No voto que declarou a nulidade das provas, o ministro Mendonça destacou que a autoridade policial atuou de forma deliberadamente indevida. “De forma voluntária, buscou elementos de convicção em face do Governador, cujo potencial envolvimento já se apresentava, por meio de requisições de dados de pessoas de seu entorno, como empresas, esposa e até filho menor de idade. E mais, só depois da chegada desses relatórios é que, finalmente, representou pelo deslocamento da competência”, disse o ministro em trecho do relatório.

Caso se confirme a anulação de todas as provas, Gladson fica sem nenhum impedimento para disputar as eleições de 2026 e deve tocar a pré-candidatura ao senado até o momento como favorito já que lidera todas as pesquisas de intenções de votos.

ENTENDA O QUE É “Fishing Expedition”

Fishing expedition (ou “pescaria probatória”) é uma investigação indiscriminada e especulativa, sem um foco ou base legal clara, onde as autoridades “lançam a rede” na esperança de encontrar qualquer evidência de um crime futuro, em vez de investigar um fato específico. Essa prática é ilegal no Brasil e em muitos outros países, pois viola direitos fundamentais, sendo considerada uma busca “às cegas” incompatível com o Estado Democrático de Direito, e as provas coletadas podem ser anuladas.