Condenações por corrupção e o desafio à confiança do eleitor acreano
Debates sobre candidaturas de políticos condenados reacendem discussões sobre a Lei da Ficha Limpa, a confiança nas instituições e a responsabilidade do voto nas eleições de 2026.
Da Redação | 04/07/2026
Essa classe precisa ser bem remunerada e valorizada (Foto divulgação)
Os profissionais da educação do
município de Acrelândia afirmam viver um longo período de desvalorização,
marcado por perdas salariais, retirada de direitos e sucessivas dificuldades
nas negociações com o Poder Executivo. Segundo a categoria, desde 2017 professores
e servidores administrativos enfrentam situações que consideram de desrespeito
e falta de reconhecimento, além da ausência de uma política permanente de
valorização profissional.
De acordo com o Sindicato dos
Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), os problemas começaram a se
intensificar a partir de 2017. Conforme relatos apresentados à época por
membros do Conselho Municipal e vereadores ao Tribunal de Contas do Estado (TCE),
teriam ocorrido possíveis equívocos na aplicação dos recursos destinados à
educação, além do não cumprimento da legislação referente ao piso nacional do
magistério. Para a categoria, esses fatores deram origem a uma série de
prejuízos que se acumularam ao longo dos anos.
Na tentativa de corrigir essas
distorções, a gestão municipal seguinte iniciou negociações com o Sinteac e
apresentou, em dezembro de 2021, uma proposta que previa a atualização do piso
do magistério, reajustes anuais dos salários e melhorias na remuneração dos
servidores administrativos. Em contrapartida, o acordo previa a redução de 50%
das gratificações. Segundo o sindicato, a proposta foi amplamente debatida e
aprovada em assembleia pelos trabalhadores, que aceitaram a medida diante da
garantia de que as perdas seriam compensadas pelos reajustes anuais previstos.
O acordo foi transformado na Lei
Municipal nº 787, sancionada em março de 2022. Entretanto, segundo a categoria,
os compromissos assumidos não foram integralmente cumpridos pela administração
municipal, apesar das diversas tentativas de negociação para garantir a
aplicação da legislação.
No ano seguinte, uma nova medida
trouxe mais preocupação aos servidores da educação. Conforme o Sinteac, foi
aprovada uma lei que extinguiu a gratificação por nível superior de todos os
profissionais da educação, provocando novos prejuízos financeiros e comprometendo
a valorização da carreira.
Embora tenham ocorrido reajustes
salariais para parte dos servidores administrativos de 55% para motoristas e
de 20% para os demais funcionários, a categoria afirma que os ganhos tiveram
impacto reduzido. Isso porque muitos servidores já se encontram no final da
tabela salarial e, desde 2021, a progressão funcional entre as letras da
carreira foi reduzida de 10% para 3%, diminuindo significativamente os efeitos
da evolução na carreira. Além disso, o aumento da incidência do Imposto de
Renda Retido na Fonte (IRRF) também reduz o valor líquido recebido pelos
trabalhadores.
Outro ponto considerado
prioritário pela categoria é a reformulação do Plano de Cargos, Carreira e
Remuneração (PCCR) da Educação. Segundo o sindicato, as negociações já duram
cerca de três anos sem avanços concretos. No ano passado, a Prefeitura informou
que a revisão do PCCR dependeria da mudança do regime jurídico dos servidores e
apresentou uma proposta de novo estatuto. No entanto, os profissionais
discordaram de parte do texto e reivindicam, entre outros pontos, uma
compensação correspondente aos 8% do FGTS.
A expectativa agora é pela
apresentação de uma nova proposta por parte da Prefeitura, prometida para até o
dia 15 de julho de 2026. A categoria espera que o novo texto contemple as
reivindicações históricas dos trabalhadores e garanta a recuperação das perdas
acumuladas ao longo dos últimos anos.
Outro fator que reforça a
preocupação dos profissionais é o fato de Acrelândia ter sido notificada pelo
Tribunal de Contas do Estado do Acre por integrar o grupo de municípios que não
estariam cumprindo a legislação referente ao piso nacional do magistério. Para
os trabalhadores, esse cenário evidencia a necessidade de medidas urgentes para
assegurar o cumprimento da lei, a valorização dos profissionais e a
reconstrução da carreira da educação pública no município.
O
radarnewsdiario.com.br entrou em
contato com a presidente do Sinteac de Acrelândia e com muito respeito nos atendeu Maury:
“Enquanto Sinteac temos
reivindicado a reformulação do pccr, estamos no processo de negociação com a prefeitura,
que nos informou que para fazer a reformulação tem que alterar o regime,
Acrelândia é um dos poucos municípios que ainda segue o regime celetista. Existe uma banca trabalhando na proposta de
estatuto e neste momento estamos aguardando até o dia 15 do corrente mês,
conforme acordado em reunião com a categoria, para nos entregar uma proposta. O
movimento seguinte é reunir a categoria, discutir e deliberar sobre a proposta,
lembrando que o estatuto diz respeito a todos os servidores públicos, a
categoria sendo favorável a proposta, está deve seguir para a Câmara, se
aprovada daí sim iniciaremos novamente a luta pela reformulação do pccr, por
enquanto temos a promessa de valorização na carreira. A nossa reivindicação é
que retorne os percentuais de gratificação que foram retirados, queremos
valorização na carreira e garantia de sustentabilidade nos nossos vencimentos”.
O Radar News Diário reafirma que esta reportagem
não possui motivação política nem interesse partidário. O compromisso do jornal
é dar voz aos profissionais da educação que denunciam perdas de direitos e
cobrar transparência, diálogo e soluções para uma categoria que, há anos,
reivindica valorização e o cumprimento da legislação.
A reportagem deixa espaço aberto
para manifestação da Prefeitura de Acrelândia, garantindo o direito ao
contraditório e à ampla defesa sobre os fatos apresentados pela categoria.