Congresso, STF ou Banco Central: em qual desses o povo deve confiar no Brasil saqueado pelo PT?
O Brasil virou refém de instituições desacreditadas. Sob a gestão do PT, a corrupção volta a assombrar o país
Por Wesley Oliveira/Gazeta do Povo | 23/01/2026
((Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil))
Mesmo com assinaturas suficientes
para a criação de comissões parlamentares de inquérito, a apuração do escândalo
envolvendo o Banco Master enfrenta forte resistência nos bastidores do
Congresso Nacional. O movimento é liderado por setores do Centrão, que atuam
para postergar ou esvaziar a instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) diante do risco de que uma investigação parlamentar exponha uma
rede extensa de relações políticas e jurídicas mantidas pelo fundador e CEO da
instituição, Daniel Vorcaro.
Embora haja apoio formal à
investigação entre parlamentares de todos os campos, da oposição, do próprio
Centrão e até entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a disputa
deixou de ser pela coleta de assinaturas, etapa já superada e passou a se
concentrar no controle do escopo, do ritmo e do momento político das apurações
da roubalheira.
Hoje, há ao menos três
requerimentos prontos para a criação de CPIs: um na Câmara dos Deputados, um no
Senado Federal e outro para uma comissão mista entre as duas Casas do
Legislativo. Ter o apoio mínimo, no entanto, não obriga a instalação dos
colegiados. Os presidentes das Casas não têm prazo regimental para dar
andamento aos pedidos, o que permite que, havendo acordo político, as CPIs
simplesmente não saiam do papel, isso é a vontade dos envolvidos do centrão na
roubalheira.
No caso de CPIs mistas, o
controle é ainda mais sensível. Há precedentes de que basta a leitura do
requerimento em sessão do Congresso Nacional para que a comissão seja
instalada. Assim, a simples postergação da convocação dessas sessões se tornou
um instrumento eficaz para atrasar indefinidamente o processo, mantendo a
investigação em estado de suspensão.
Nos bastidores, parlamentares
admitem que o principal fator de resistência à CPI é a chamada “bancada do
centrão e PT ligada a Daniel Vorcaro”. Antes de ser preso, em novembro, após a
deflagração da Operação Compliance Zero, o empresário construiu uma rede de
interlocução com lideranças influentes do Congresso, especialmente em partidos
do Centrão, uma articulação que hoje é vista como um dos maiores entraves à
investigação parlamentar.
Entre os nomes mais citados estão
o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Antônio Rueda,
dirigente do União Brasil. Ambos são apontados como pontes políticas de Vorcaro
em Brasília e teriam participado das articulações para viabilizar a tentativa
de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação posteriormente
vetada pelo Banco Central.
A proximidade entre Vorcaro e o
núcleo do Centrão também se refletiu em iniciativas no campo legislativo. Em
2024, Ciro Nogueira apresentou uma emenda à PEC 65/2023 propondo elevar o
limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$
1 milhão por CPF ou CNPJ.
Críticos da proposta afirmaram, à
época, que a ampliação da garantia beneficiaria diretamente bancos médios com
forte captação junto a investidores, perfil no qual o Banco Master se
enquadrava. A iniciativa passou a ser citada, nos bastidores, como exemplo do
grau de influência política exercido pelo grupo ligado à instituição.
Com a liquidação do Banco Master
pelo BC, os desembolsos do FGC para cobrir depósitos e aplicações de clientes
atingidos pelo grupo Master, que inclui hoje o Will Bank, podem somar até R$
46,9 bilhões. O montante representa quase 40% da liquidez que a instituição
tinha em junho de 2025, de R$ 121 bilhões.