A corrupção e as fraudes
envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continuam
provocando indignação no cidadão brasileiro. Em Salvador, na Bahia, uma
operação da Polícia Federal realizada na última terça-feira (25) prendeu um jovem
de 21 anos que, segundo as investigações, era estagiário de uma agência do INSS
em Itapuã e teria utilizado seu acesso ao sistema para reativar 97 benefícios
que estavam suspensos.
De acordo com as informações
divulgadas sobre a investigação, o esquema teria provocado inicialmente um
prejuízo estimado em R$ 3,5 milhões aos cofres públicos. O caso chama ainda
mais atenção porque envolve um sistema responsável por administrar recursos
destinados a aposentados, pensionistas e pessoas que dependem da Previdência
Social.
A pergunta que fica para o
cidadão é: como alguém tão jovem, na condição de estagiário, conseguiu ter
acesso suficiente para alterar benefícios dentro de um sistema que deveria
possuir mecanismos rigorosos de segurança e fiscalização?
Casos como esse alimentam uma
sensação cada vez maior de descrença nas instituições. Para muitos brasileiros,
existe uma diferença preocupante entre o rigor aplicado ao cidadão comum e a
forma como determinados casos envolvendo pessoas com poder político ou
influência são tratados.
No debate político, a Lei da
Ficha Limpa também é constantemente questionada pela população. O cidadão quer
saber se as regras realmente são aplicadas de maneira uniforme ou se existem
brechas que permitem que pessoas envolvidas em graves acusações ou condenações
continuem disputando eleições.
É preciso deixar claro:
investigação não é condenação, e qualquer pessoa tem direito à ampla defesa e
ao devido processo legal. Mas também é legítimo que a sociedade cobre
transparência, fiscalização e punição quando houver comprovação de crimes
contra o patrimônio público que seja punido e cassado seus direitos políticos.
o exemplo está no ex-governador do Acre.
O Brasil não pode aceitar que
bilhões de reais destinados à população sejam tratados como se fossem dinheiro
sem dono. Recursos do INSS pertencem, direta ou indiretamente, ao trabalhador
brasileiro que contribuiu durante anos esperando receber sua aposentadoria ou
benefício.
E a indignação não pode ter lado
político. Se houve crime, que os responsáveis sejam investigados, julgados e,
se condenados, punidos dentro da lei, sejam estagiários, empresários,
servidores ou políticos.
O cidadão brasileiro não quer
privilégios. Quer simplesmente uma coisa: que a lei seja igual para todos.