Congresso, STF ou Banco Central: em qual desses o povo deve confiar no Brasil saqueado pelo PT?
O Brasil virou refém de instituições desacreditadas. Sob a gestão do PT, a corrupção volta a assombrar o país
Por: Edilberto Araújo | 27/01/2026
((Foto: Jacqueline Spotto/Anvisa))
A Anvisa deve votar, nesta
quarta-feira (28), três resoluções para regulamentar o cultivo da Cannabis
sativa, conhecida como maconha, para fins medicinais. O tema entrou em pauta
após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar que a agência avance na
normatização. No Congresso Nacional, porém, a discussão permanece travada, já
que parlamentares contrários ao cultivo têm atuado sistematicamente para
obstruir a tramitação do assunto.
Segundo a Anvisa, cada resolução
abordará uma frente específica: produção, pesquisa e uso por associações sem
fins lucrativos. No eixo da produção, o cultivo será restrito a farmacêuticas
autorizadas e deverá ocorrer em áreas 100% monitoradas e rastreadas. A norma
voltada à pesquisa vai permitir o desenvolvimento de estudos em ambientes
controlados, com monitoramento 24h, alarmes e acesso limitado. Já as entidades
sem fins lucrativos que atendem pacientes também terão regras próprias para
produzir medicamentos à base da substância, porém, não poderão vendê-los. A
agência também apresentou um plano de fiscalização que funcionará para todas as
frentes.
Essas propostas integram um plano
de trabalho apresentado pelo Executivo em cumprimento à decisão do STJ, que
cobrou a regulamentação para uniformizar a jurisprudência. A ação responsável
por motivar a decisão foi ajuizada pela DNA Soluções em Biotecnologia,
fabricante de produtos derivados da cannabis no país e interessada na
autorização do plantio.
Embora a Lei de Drogas (Lei
11.343 de 2006) proíba o cultivo de plantas das quais possam ser extraídas
substâncias entorpecentes, o tribunal busca permitir o uso industrial de
derivados da Cannabis em condições específicas. Os ministros entenderam que a legislação
não veda o uso do cânhamo industrial, já que ele possui teor de
tetrahidrocanabinol (THC) inferior a 0,3%, limite em que não há efeitos
psicoativos. Dessa forma, segundo a ministra Regina Helena Costa, relatora da
ação, não haveria riscos à saúde pública.
Matéria não avança no Congresso
devido à forte obstrução de parlamentares
A pressão do Judiciário contrasta
com o cenário no Legislativo, onde o debate permanece travado por estratégia
política. O PL 399/2015, conhecido como marco regulatório da Cannabis, está
parado na Câmara dos Deputados desde 2021, por uma intensa atuação de
parlamentares contrários ao tema. O projeto foi votado em uma comissão
especial, em junho daquele ano, e terminou empatado. Foram 17 votos favoráveis
à regulamentação e 17 contrários. Pelo regimento, o voto do relator funciona
como desempate e o texto acabou aprovado.
Após a votação, o deputado Pastor
Eurico (PL-PE) apresentou um recurso que ainda aguarda deliberação da Mesa
Diretora da Casa.
Já no Senado Federal, o PL
5511/2023, da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), está pronto para ser apreciado
pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). O parecer da senadora
Dorinha Seabra (União-TO) é favorável. Se aprovado na CRA, o projeto seguirá
para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) antes de ser encaminhado à Câmara dos
Deputados.
Para Alessandro Chiarottino,
professor de Direito Constitucional, o plantio da Cannabis para fins
estritamente médicos e sob supervisão médica adequada não viola o ordenamento
jurídico. “O problema é que essa autorização deveria vir do Legislativo e não,
como ocorre hoje, por meio do Judiciário. O STJ está, nesse ponto, se
substituindo ao legislador. O problema está aí”, aponta.