O Brasil atravessa, sem exagero,
um dos seus momentos mais sombrios no que diz respeito à credibilidade e ao
respeito às suas instituições mais altas. Hoje, é o Senado Federal que
envergonha a nação, mergulhado numa avacalhação generalizada, num caos administrativo
e institucional que parece ter sido orquestrado e deixado em total desordem
pela presidência de Davi Alcolumbre. O respeito que a Casa Maior deveria
inspirar deu lugar à perplexidade e à vergonha de milhões de brasileiros que
veem seus representantes agirem como se estivessem acima de qualquer regra.
E ao lado dessa crise, o Supremo
Tribunal Federal guardião da Constituição, símbolo máximo da Justiça transformou-se, infelizmente, num palco de
desrespeito. Os próprios ministros, com condutas, decisões e posicionamentos
que fogem ao esperado por quem deveria zelar pela imparcialidade e pela ordem,
são os responsáveis por essa deterioração. A instituição que deveria ser a
âncora do país passou a ser o centro das polêmicas, dos conflitos de interesses
e de suspeitas que se acumulam sem que ninguém seja responsabilizado.
O pior de tudo, o que mais
revolta e desanima, é a certeza de que, no fim, tudo se resolverá numa pizza do
tamanho de Brasília. A cada escândalo, a cada revelação de envolvimento de
ministros em atos suspeitos ou em corrupção, a esperança de justiça se esvanece.
Sabe-se, de antemão, que ninguém vai pagar pelo que fez, que as investigações
não levarão a nada e que a impunidade continuará sendo a regra. Quem paga essa
conta, sempre, é o povo brasileiro: com o bolso esvaziado, com os direitos
negligenciados, com a dignidade roubada e com a certeza de que as leis não se
aplicam aos poderosos.
E é preciso ir à raiz de toda
essa bagunça. Tudo começou, sem dúvida, dentro do próprio STF, com as decisões
que anularam condenações e permitiram que uma pessoa condenada passasse a
governar o país. Ao descondena Luiz Inácio Lula da Silva, a Corte abriu as
portas para que assumisse a presidência da República alguém que havia sido
julgado e considerado culpado por crimes graves. A partir daí, o país passou a
ser governado por quem não deveria estar em liberdade, quanto mais no comando
da nação. E quando um país é governado por quem foi condenado por corrupção,
tudo se torna permissivo: vira casa de mãe Joana, onde não há regra, não há
autoridade, não há respeito e não há Justiça.
Hoje, o que se vê é o resultado
disso: instituições desmoralizadas, leis que valem para uns e não para outros,
o Senado que se ridiculariza e um STF que perdeu a respeitabilidade. E o povo,
que assiste a tudo isso de mãos atadas, continua sendo o único a pagar a conta.