Congresso, STF ou Banco Central: em qual desses o povo deve confiar no Brasil saqueado pelo PT?
O Brasil virou refém de instituições desacreditadas. Sob a gestão do PT, a corrupção volta a assombrar o país
Por: Edilberto Araújo | 28/01/2026
((Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil))
Cinco grandes polemicas marcaram
a trajetória de Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF) e ajudaram a
consolidar uma imagem pública cercada de questionamentos. Do codinome atribuído
pela Odebrecht ao voto decisivo que desmontou pilares da Operação Lava Jato,
passando pela abertura do Inquérito das Fake News e pela condução do caso Banco
Master, decisões e episódios envolvendo o ministro reacenderam, ao longo dos
anos, críticas sobre conflitos de interesse, concentração de poder e os limites
da atuação judicial.
As investigações mais recentes
sobre o colapso do Banco Master e as conexões com o resort Tayayá ampliaram
esse desgaste e recolocaram Toffoli no centro do debate público, reforçando a
percepção de que sua atuação no STF está diretamente ligada a uma trajetória
marcada por embates institucionais e polemicas recorrentes.
Diante das críticas, Toffoli
voltou a receber defesa pública de aliados na Corte. O ministro Gilmar Mendes
afirmou que ataques ao colega representariam tentativas de “criminalizar a
atividade jurisdicional” e sustentou que decisões impopulares fazem parte do
exercício da magistratura. A manifestação, no entanto, não mencionou os
questionamentos sobre a conduta do ministro em casos de grande impacto
político, econômico e institucional.
Para entender a recorrência
dessas controvérsias, é preciso olhar para a formação e a ascensão
institucional de Dias Toffoli. José Antônio Dias Toffoli nasceu em 15 de
novembro de 1967, em Marília, no interior de São Paulo. Formado em Direito,
tentou ingressar na magistratura em 1994 e 1995, ao prestar o 165º e o 166º
Concursos de Ingresso à Magistratura, sem sucesso. Sua carreira se desenvolveu
fora da magistratura e em estreita ligação com o meio político.
Após atuar como assessor
parlamentar e advogado do Partido dos Trabalhadores, Toffoli chegou à Casa
Civil e, em março de 2007, foi convidado pessoalmente pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva para assumir a Advocacia-Geral da União. A nomeação foi interpretada,
à época, como resultado da confiança política de Lula em um aliado jurídico que
havia defendido o governo em disputas estratégicas, mais do que por uma
trajetória em carreiras típicas de Estado.
À frente da AGU, Toffoli obteve
vitórias consideradas centrais para o governo federal. Uma das mais relevantes
foi a atuação na defesa da construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio
e Jirau, no rio Madeira, obras estratégicas do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) e que enfrentavam uma série de ações judiciais e
questionamentos ambientais. A AGU, sob seu comando, coordenou a estratégia
jurídica que permitiu a continuidade dos empreendimentos.
Outro caso emblemático foi a
defesa da União no julgamento da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do
Sol, em 2009. À frente da AGU, Toffoli argumentou que a demarcação em área
única e ininterrupta era essencial para a preservação cultural e física dos
povos indígenas.
Essas atuações reforçaram o
prestígio de Toffoli junto ao Palácio do Planalto e ampliaram seu capital
político. Em setembro de 2009, com a morte do ministro Carlos Alberto Menezes
Direito, Lula decidiu indicá-lo para o Supremo Tribunal Federal, em sua oitava
nomeação para a Corte. A escolha gerou forte resistência no Senado, sobretudo
pela ausência de experiência prévia na magistratura e pelos vínculos políticos
diretos com o presidente que o indicava, mas acabou confirmada. Toffoli tomou
posse como ministro do STF em outubro daquele ano.
Um dos episódios mais
emblemáticos do desgaste público de Dias Toffoli veio à tona em 2019, quando
uma reportagem da revista Crusoé atribuiu ao então presidente do Supremo
Tribunal Federal o codinome “amigo do amigo de meu pai” que apareceu em
mensagens internas da Odebrecht.
As mensagens foram enviadas por
Marcelo Odebrecht a executivos do grupo em 13 de julho de 2007, no contexto das
negociações envolvendo a construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no
rio Madeira, em Rondônia — empreendimento prioritário do PAC que custaria R$ 10
bilhões e enfrentava ações judiciais ambientais e indígenas que ameaçavam
inviabilizá-lo.
À época, em 2007, Toffoli
coordenava uma força-tarefa jurídica da AGU responsável por contestar decisões
judiciais que buscavam barrar a usina, atuando como interlocutor direto do
governo Lula em disputas sensíveis para a Odebrecht. O e-mail de Marcelo questionava
os executivos da construtora: “Afinal, vocês fecharam com o amigo do amigo de
meu pai?”. E um deles respondeu: “em curso”
O codinome “amigo do amigo de meu
pai” seguia a lógica interna adotada pela Odebrecht para identificar
autoridades com diferentes graus de proximidade. No sistema de codinomes da
empreiteira, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva era tratado como o
“amigo de meu pai”, em referência à relação pessoal com Emílio Odebrecht,
patriarca do grupo. Dias Toffoli aparecia como o “amigo do amigo de meu pai”,
posição intermediária que refletia tanto sua proximidade política com o governo
quanto seu papel institucional como chefe da Advocacia-Geral da União,
responsável por atuar em disputas de interesse direto da empreiteira.