O Voto Comprometido e o Preço da Impunidade: Até Quando o Brasil e o Acre Vão Sustentar Corruptos?
A inversão de valores na urna reflete o colapso dos serviços básicos, deixando o cidadão de bem refém de políticos condenados e do crime organizado.
Por: Edilberto Araújo | 05/06/2026
Esse é o Brasil governado pela a esquerda (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A decisão dos Estados Unidos de
classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como
organizações terroristas, que entra em vigor nesta sexta-feira (5), forçará o
mercado brasileiro a tomar medidas efetivas contra a lavagem de dinheiro.
Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tente retratar a
medida como um risco para as empresas, ela tem grande potencial para moralizar
o mercado e evitar que o Brasil se torne um narcoestado, segundo analistas
ouvidos pela reportagem.
A medida, anunciada pelo
Departamento de Estado dos EUA e que entra em vigor em 5 de junho, amplia o
alcance de sanções financeiras e permite que autoridades americanas adotem
medidas contra pessoas e empresas que mantenham vínculos com as facções.
"A medida dos Estados Unidos
é positiva no geral. Se você não tiver alguma força externa pressionando as
instituições do Estado, nada vai andar. Tem tráfico do lado de delegacias de
polícia e relaxamento de pena de criminoso. Está comprovado que as instituições
que deveriam estar fazendo alguma coisa, por um motivo ou outro, não estão
fazendo", afirmou o analista de riscos Nelson Ricardo Fernandes Silva, da
consultoria ARP Risk.
Investigações conduzidas pela
Polícia Federal e pelo Ministério Público apontam que grupos criminosos têm
utilizado empresas de fachada e negócios legítimos para lavar dinheiro oriundo
do tráfico de drogas, contrabando, venda de "proteção" e serviços,
além de outras atividades ilegais. Entre os setores mais frequentemente citados
em operações policiais estão transporte de passageiros, combustíveis,
logística, construção civil e serviços financeiros.
Segundo Silva, grandes bancos e
empresas mantêm em seus quadros profissionais de compliance conjunto de regras,
procedimentos e mecanismos de controle criados que visam garantir que a empresa
atue dentro da lei, previna fraudes, identifique operações suspeitas e reduza
riscos jurídicos e financeiros.
Mas na prática quase ninguém
procura autoridades policiais para denunciar operações comerciais ou
financeiras suspeitas, porque dificilmente isso trás consequências. "Por
exemplo, você é um grande banco e não vai querer correr o risco de operar com uma
facção. Mas chega uma empresa investindo milhões e milhões. Você pode até achar
esquisito, mas não vai checar, não vai denunciar", afirmou.
Um estudo de 2025 do think tank
Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou que o crime organizado injetou
cerca de R$ 348 bilhões na economia formal, por meio de lavagem de dinheiro,
entre os anos de 2022 e 2024.
O cenário brasileiro ainda não
permite classificar o país como um narcoestado. Por isso, medidas de
moralização não derrubariam a economia, diferente, por exemplo, de países
produtores de cocaína na região andina.
Porém, o combate à lavagem de
dinheiro terá sim impactos na economia. "Se você tem uma empresa de
transporte que não precisa dar lucro porque ela lava dinheiro: quando fechar a
torneira ela vai ter que parar de pé, vai ter que dar lucro", afirmou
Silva.