Pesquisa: STF é a maior ameaça à liberdade de expressão, dizem 43% dos senadores
Levantamento inédito mostra Congresso conservador na segurança e com a direita unânime contra o Supremo
Por Paulo Polzonoff Jr. | 07/04/2026
cada um quer ser o camisa 10 (Foto: Radar News Diário)
Eduardo Bolsonaro brigou com
Nikolas Ferreira. De novo. Percebendo a oportunidade de engajamento,
influenciadores influenciados tentaram influenciar. Em meio a esse caos, Flávio
Bolsonaro bancou o adulto na sala e, mais uma vez, não a última, pediu que a
direita se unisse em torno de um adversário em comum.
Mas acho que essa união é
impossível. Os porquês são vários e um deles é porque a direita é, antes de
qualquer coisa, performática. No sentido teatral da coisa mesmo. Ela está em
busca de aplausos, likes e votos; não da verdade e do bem-comum. À direita o
que importa é parecer de direita. E vencer.
Direita pura e certa
Mais do que isso: o que importa é
parecer de uma direita específica, leal, submissa e absolutamente indissociável
do bolsonarismo. Para essa direita, não passa pela cabeça a hipótese de que
alguém possa ser de direita e ainda assim discordar 0,22%, 5%, 29%, 61% ou 100%
daquilo que eles consideram a direita pura e certa.
Além disso, não há, nessa direita
que é a que mais grita & esperneia, qualquer apego a ideias. Muito menos a
ideais. Ela não vislumbra a possibilidade de que haja vários caminhos possíveis
para se alcançar os objetivos de derrotar Lula e o PT, impedir o avanço do
autoritarismo progressista, conter a juristocracia e garantir mais liberdade econômica.
Mas há e a graça da coisa é que todos os caminhos são discutíveis e trilháveis.
Por todas as direitas. Que são muitas.
Assim, assado
Todos os caminhos, até os mais
esdrúxulos, deveriam ser debatidos com inteligência, transparência e apego a
princípios. O problema é que inteligência, transparência e apego a princípios
pressupõem vulnerabilidade. Inclusive ao erro e à derrota eleitoral. Veja só:
inclusive à ação de traidores e oportunistas, que é normal há séculos e ninguém
jamais achou que seria diferente no Brasil de 2026.
No mais, me parece que, tanto no
piti de Eduardo Bolsonaro quanto no apelo de Flávio Bolsonaro há uma confusão
entre união e homogeneidade. O que diz muito de como uma direita, essa direita,
entende a democracia. Afinal, esse negócio de pensamento homogêneo é coisa de
quem tem aversão à divergência. De quem quer porque quer que o mundo seja assim
e não admite nem por um segundo que ele possa ser melhor se for assado.