Por que a união da direita é impossível de caminhar unida no Brasil

A dificuldade de união da direita no Brasil cada um busca popularidade só esse pode ter voz

Por Paulo Polzonoff Jr. | 07/04/2026

Por que a união da direita é impossível de caminhar unida no Brasil

cada um quer ser o camisa 10 (Foto: Radar News Diário)

Eduardo Bolsonaro brigou com Nikolas Ferreira. De novo. Percebendo a oportunidade de engajamento, influenciadores influenciados tentaram influenciar. Em meio a esse caos, Flávio Bolsonaro bancou o adulto na sala e, mais uma vez, não a última, pediu que a direita se unisse em torno de um adversário em comum.

Mas acho que essa união é impossível. Os porquês são vários e um deles é porque a direita é, antes de qualquer coisa, performática. No sentido teatral da coisa mesmo. Ela está em busca de aplausos, likes e votos; não da verdade e do bem-comum. À direita o que importa é parecer de direita. E vencer.

Direita pura e certa

Mais do que isso: o que importa é parecer de uma direita específica, leal, submissa e absolutamente indissociável do bolsonarismo. Para essa direita, não passa pela cabeça a hipótese de que alguém possa ser de direita e ainda assim discordar 0,22%, 5%, 29%, 61% ou 100% daquilo que eles consideram a direita pura e certa.

Além disso, não há, nessa direita que é a que mais grita & esperneia, qualquer apego a ideias. Muito menos a ideais. Ela não vislumbra a possibilidade de que haja vários caminhos possíveis para se alcançar os objetivos de derrotar Lula e o PT, impedir o avanço do autoritarismo progressista, conter a juristocracia e garantir mais liberdade econômica. Mas há e a graça da coisa é que todos os caminhos são discutíveis e trilháveis. Por todas as direitas. Que são muitas.

Assim, assado

Todos os caminhos, até os mais esdrúxulos, deveriam ser debatidos com inteligência, transparência e apego a princípios. O problema é que inteligência, transparência e apego a princípios pressupõem vulnerabilidade. Inclusive ao erro e à derrota eleitoral. Veja só: inclusive à ação de traidores e oportunistas, que é normal há séculos e ninguém jamais achou que seria diferente no Brasil de 2026.

No mais, me parece que, tanto no piti de Eduardo Bolsonaro quanto no apelo de Flávio Bolsonaro há uma confusão entre união e homogeneidade. O que diz muito de como uma direita, essa direita, entende a democracia. Afinal, esse negócio de pensamento homogêneo é coisa de quem tem aversão à divergência. De quem quer porque quer que o mundo seja assim e não admite nem por um segundo que ele possa ser melhor se for assado.