Pesquisa: STF é a maior ameaça à liberdade de expressão, dizem 43% dos senadores

Levantamento inédito mostra Congresso conservador na segurança e com a direita unânime contra o Supremo

Por: Edilberto Araújo | 11/04/2026

Pesquisa: STF é a maior ameaça à liberdade de expressão, dizem 43% dos senadores

(Foto: Radar News Diário)

Uma pesquisa inédita do Ranking dos Políticos traça o perfil ideológico do Congresso Nacional em 2026: conservador na segurança pública, pragmático na economia e com desconforto crescente com o desenho institucional brasileiro em especial com o Supremo Tribunal Federal (STF). O dado mais contundente: 43,3% dos senadores apontaram o STF como o principal fator de ameaça à liberdade de expressão no país. Entre deputados federais, o índice foi de 25%.

Entre os parlamentares de direita na Câmara, o número sobe para 50%. No Senado, a direita foi unânime: 100% dos senadores de direita indicaram o STF como a maior ameaça. A cultura do cancelamento apareceu em segundo lugar, citada por 19,5% dos deputados e 16,8% dos senadores.

Segurança pública

A rejeição à pena de morte é ampla: 64,8% dos deputados e 73,3% dos senadores se disseram totalmente contrários. O cenário muda nos temas de maioridade penal e armas. Sobre a maioridade penal, 61,1% dos deputados e 70% dos senadores apoiam alguma forma de redução para 16 anos, abaixo disso, ou com avaliação caso a caso. Entre os deputados de direita, 50% defendem a redução para menos de 16 anos. No Senado de direita, 66,7% sustentam a mesma posição.

Na questão das armas, 64,9% dos deputados e 70% dos senadores são favoráveis à flexibilização da posse ou do porte, com algum nível de restrição. Entre parlamentares de direita na Câmara, 63,6% são totalmente favoráveis à liberação.

Os deputados e senadores são contra a pena de morte para bandido, mas nada faz com o crescimento da violência, a cada dez minutos aproximadamente uma pessoa é vítima da violência da bandidagem, aumentar pena nada se resolve sobre a violência só piora. Deveria se criar a prisão perpetua e que o trabalhasse para custear suas despesas na cadeia, caso não trabalhar a família do preso ser responsável pelo as despesas quem sabe assim fosse melhor.

“O que aparece é um viés de endurecimento na agenda de segurança pública. A maioria é contra a pena de morte, mas vemos apoio relevante à flexibilização de armas com restrições e à revisão da maioridade penal.”

Economia e estatais

O modelo de privatização seletiva manutenção apenas de setores estratégicos é o preferido de 57,4% dos deputados e 43,3% dos senadores. Entre os parlamentares de direita no Senado, a posição é mais radical: 100% defendem a privatização total das estatais. Na Câmara, 54,5% dos deputados de direita adotam a mesma posição.

“Em vez de aderir aos polos, ele aparece muitas vezes como um campo do pragmatismo, apoiando soluções intermediárias como privatizações seletivas e revisões parciais de regras.”

Desenho institucional

Na questão da reeleição, 51,9% dos deputados e 40% dos senadores defendem o fim da reeleição para cargos do Executivo. Entre os deputados de direita, 63,6% sustentam o fim da reeleição para o Executivo e 31,8% querem o fim para todos os cargos. No Senado de direita, 83,3% são pelo fim da reeleição para todos os cargos.

Sobre o foro por prerrogativa de função, a Câmara registra divisão praticamente equilibrada: 36,1% defendem manter o modelo atual e 35,2% querem o fim. No Senado, 56,7% são favoráveis à manutenção. A direita, nas duas casas, é majoritariamente contra o foro: 45,5% dos deputados e 66,6% dos senadores de direita querem o fim para todos os cargos.

“Existe uma inquietação com o funcionamento das regras do jogo e com o equilíbrio entre os Poderes.”

Metodologia

A pesquisa “A Cabeça dos Parlamentares” ouviu 112 deputados federais de 18 partidos e 30 senadores de 12 legendas, com respeito à proporcionalidade partidária. As entrevistas foram realizadas entre 23 e 27 de março de 2026. Margem de erro de 6,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.