Master distribuiu R$ 220 milhões em contratos com autoridades; veja quem são os beneficiados

Para passar o Brasil alimpo precisa fazer uma limpeza no STF e Congresso Nacional em 2026

Por: Edilberto Araújo | 10/04/2026

Master distribuiu R$ 220 milhões em contratos com autoridades; veja quem são os beneficiados

Para limpar o Brasil tem que fazer faxina no STF e Congresso Nacional ((Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil))

Relatórios enviados pela Receita Federal e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à CPI do Crime Organizado nas últimas semanas listam uma série de pagamentos realizados pelo Banco Master a políticos, ex-autoridades e a comunicadores a partir de empresas a eles vinculadas. Juntos, os repasses, que por si só não representam crime, somariam mais de R$ 220 milhões ao longo dos últimos anos.

De acordo com dados divulgados pela Folha e confirmados pela reportagem, Henrique Meirelles (ex-ministro da Fazenda) teria recebido R$ 18,5 milhões; a Pollaris Consultoria, ligada a Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda), recebeu R$ 14 milhões; a MV Projetos e Consultoria, de Marconi Perillo (ex-governador de Goiás), R$ 14,5 milhões; o escritório do ex-presidente Michel Temer, R$ 10 milhões; escritórios ligados ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, R$ 6,4 milhões.

A Lewandowski Advocacia, vinculada a familiares do ex-ministro do STF e da Justiça e Segurança do governo Lula, Ricardo Lewandowski, recebeu ao menos R$ 6,1 milhões; a A&M Consultoria, de ACM Neto, levou R$ 5,45 milhões; a WF Comunicação, do ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, recebeu R$ 3,8 milhões. A BN Financeira, ligada a Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT), levou R$ 12 milhões; além de R$ 289 mil que foram pagos diretamente ao senador.

Também aparecem repasses de R$ 21 milhões à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos, ambas do Grupo Massa ligados ao apresentador Ratinho. A mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes recebeu R$ 80 milhões, repassados ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados.

O portal Metrópoles teria recebido pagamentos de serviços relacionados à cobertura e consultorias ligadas ao Banco Master no valor de pouco mais de R$ 27 milhões. Segundo relatórios da Receita Federal e do Coaf, os valores teriam sido declarados como repasses oficiais por serviços de produção de conteúdo, análises e consultoria jornalística de 2022 a 2025. O portal teria atuado como prestador formal de serviços, com emissão de notas fiscais e contabilização a órgãos fiscais.

Outros lados: como os beneficiados justificam os pagamentos

Os citados nos relatórios afirmam, em linhas gerais, que os valores recebidos decorrem de atividades legais e devidamente formalizadas.

Michel Temer declarou ao jornal Folha de S.Paulo que prestou serviços de mediação jurídica ao banco e diz que os valores são menores que os divulgados. Ele não respondeu a um pedido de informações feito pela reportagem.

Henrique Meirelles, que é ex-ministro da Fazenda, afirmou ter atuado como consultor em temas macroeconômicos. Guido Mantega, que exerceu o mesmo cargo, disse que exerceu consultoria econômica sem conhecimento de eventuais irregularidades.

Ricardo Lewandowski sustentou que sua atuação em serviços jurídicos ocorreu após deixar o STF e antes de sua entrada no governo.

Antônio Rueda afirmou que os serviços prestados por seus escritórios foram técnicos e regulares. “Não confirmamos informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita. Declarações de imposto de renda são sigilosas por lei. Todos os serviços prestados pelos escritórios são legais, contratados regularmente e com plena conformidade tributária”, disse em nota.

Ainda segundo o presidente do União Brasil, os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram caráter “estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada: dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de mil audiências, cerca de 20 mil manifestações nos autos e aproximadamente 400 acordos realizados ao longo do período”.

Segundo Rueda, trata-se de atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país, sem qualquer interferência da atuação pública em relações privadas de natureza jurídica”. ACM Neto declarou que os contratos foram firmados de forma lícita e transparente.

Fabio Wajngarten, por sua vez, usou sua conta no X para informar que atua na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. “Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado."

"Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que não exerço qualquer cargo público há mais de cinco anos”, descreveu na rede social. Já a BN Financeira afirmou que todos os serviços foram realizados mediante emissão de notas fiscais e devidamente declarados.

Representantes do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, também sustentaram que os valores recebidos estão ligados a contratos publicitários e parcerias comerciais, negando qualquer irregularidade. Em nota, o grupo disse que "possui mais de 30 anos de atuação em diversos setores econômicos” e que “construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas”.

O grupo afirmou ainda que sua atuação não se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais. Em relação aos pagamentos como pessoa física, Jaques Wagner afirmou que os valores correspondem a rendimentos financeiros, e não a contratos com o banco.