Pesquisa: STF é a maior ameaça à liberdade de expressão, dizem 43% dos senadores
Levantamento inédito mostra Congresso conservador na segurança e com a direita unânime contra o Supremo
Por: Edilberto Araújo | 10/04/2026
Para limpar o Brasil tem que fazer faxina no STF e Congresso Nacional ((Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil))
Relatórios enviados pela Receita
Federal e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à CPI do
Crime Organizado nas últimas semanas listam uma série de pagamentos realizados
pelo Banco Master a políticos, ex-autoridades e a comunicadores a partir de
empresas a eles vinculadas. Juntos, os repasses, que por si só não representam
crime, somariam mais de R$ 220 milhões ao longo dos últimos anos.
De acordo com dados divulgados
pela Folha e confirmados pela reportagem, Henrique Meirelles (ex-ministro da
Fazenda) teria recebido R$ 18,5 milhões; a Pollaris Consultoria, ligada a Guido
Mantega (ex-ministro da Fazenda), recebeu R$ 14 milhões; a MV Projetos e
Consultoria, de Marconi Perillo (ex-governador de Goiás), R$ 14,5 milhões; o
escritório do ex-presidente Michel Temer, R$ 10 milhões; escritórios ligados ao
presidente do União Brasil, Antônio Rueda, R$ 6,4 milhões.
A Lewandowski Advocacia,
vinculada a familiares do ex-ministro do STF e da Justiça e Segurança do
governo Lula, Ricardo Lewandowski, recebeu ao menos R$ 6,1 milhões; a A&M
Consultoria, de ACM Neto, levou R$ 5,45 milhões; a WF Comunicação, do ex-ministro
do governo de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, recebeu R$ 3,8 milhões. A BN
Financeira, ligada a Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT), levou
R$ 12 milhões; além de R$ 289 mil que foram pagos diretamente ao senador.
Também aparecem repasses de R$ 21
milhões à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos,
ambas do Grupo Massa ligados ao apresentador Ratinho. A mulher do ministro do
STF Alexandre de Moraes recebeu R$ 80 milhões, repassados ao escritório Barci
de Moraes Sociedade de Advogados.
O portal Metrópoles teria
recebido pagamentos de serviços relacionados à cobertura e consultorias ligadas
ao Banco Master no valor de pouco mais de R$ 27 milhões. Segundo relatórios da
Receita Federal e do Coaf, os valores teriam sido declarados como repasses
oficiais por serviços de produção de conteúdo, análises e consultoria
jornalística de 2022 a 2025. O portal teria atuado como prestador formal de
serviços, com emissão de notas fiscais e contabilização a órgãos fiscais.
Outros lados: como os
beneficiados justificam os pagamentos
Os citados nos relatórios
afirmam, em linhas gerais, que os valores recebidos decorrem de atividades
legais e devidamente formalizadas.
Michel Temer declarou ao jornal
Folha de S.Paulo que prestou serviços de mediação jurídica ao banco e diz que
os valores são menores que os divulgados. Ele não respondeu a um pedido de
informações feito pela reportagem.
Henrique Meirelles, que é
ex-ministro da Fazenda, afirmou ter atuado como consultor em temas
macroeconômicos. Guido Mantega, que exerceu o mesmo cargo, disse que exerceu
consultoria econômica sem conhecimento de eventuais irregularidades.
Ricardo Lewandowski sustentou que
sua atuação em serviços jurídicos ocorreu após deixar o STF e antes de sua
entrada no governo.
Antônio Rueda afirmou que os
serviços prestados por seus escritórios foram técnicos e regulares. “Não
confirmamos informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma
ilícita. Declarações de imposto de renda são sigilosas por lei. Todos os
serviços prestados pelos escritórios são legais, contratados regularmente e com
plena conformidade tributária”, disse em nota.
Ainda segundo o presidente do
União Brasil, os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram
caráter “estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada:
dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de mil audiências, cerca de 20
mil manifestações nos autos e aproximadamente 400 acordos realizados ao longo
do período”.
Segundo Rueda, trata-se de
atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o
exercício da advocacia no país, sem qualquer interferência da atuação pública
em relações privadas de natureza jurídica”. ACM Neto declarou que os contratos
foram firmados de forma lícita e transparente.
Fabio Wajngarten, por sua vez,
usou sua conta no X para informar que atua na defesa do banqueiro Daniel
Vorcaro. “Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos
advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte
até o presente momento. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão
pela qual não pode ser publicizado."
"Além disso, não sou sequer
mais politicamente exposto, já que não exerço qualquer cargo público há mais de
cinco anos”, descreveu na rede social. Já a BN Financeira afirmou que todos os
serviços foram realizados mediante emissão de notas fiscais e devidamente
declarados.
Representantes do Grupo Massa, do
apresentador Ratinho, também sustentaram que os valores recebidos estão ligados
a contratos publicitários e parcerias comerciais, negando qualquer
irregularidade. Em nota, o grupo disse que "possui mais de 30 anos de
atuação em diversos setores econômicos” e que “construiu uma trajetória pautada
por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à
Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas
marcas e empresas”.
O grupo afirmou ainda que sua
atuação não se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve
relações contratuais. Em relação aos pagamentos como pessoa física, Jaques
Wagner afirmou que os valores correspondem a rendimentos financeiros, e não a
contratos com o banco.