O exterminador de sonhos políticos de mulheres no Acre?

Articulações, mudanças de rota e disputas internas levantam questionamentos sobre a relação de Alan Rick com lideranças femininas que passaram por seu projeto político

Da Redação | 15/08/2026

O exterminador de sonhos políticos de mulheres no Acre?

O terrível destruidor (Foto: Pâmela Celina/g1)

Na política, alianças podem nascer com discursos de união, confiança e construção conjunta, mas também podem mudar rapidamente quando chega a hora de definir as chapas e os espaços de poder. No Acre, algumas trajetórias de mulheres ligadas a articulações políticas envolvendo o senador Alan Rick e candidato a governador passaram a alimentar críticas e questionamentos nos bastidores.

O apelido de “exterminador de sonhos políticos” é uma provocação editorial diante de episódios que, na avaliação de críticos da política acreana, revelariam um padrão de aproximação, expectativa e posterior afastamento de mulheres que chegaram a ser consideradas importantes para determinados projetos eleitorais.

A primeira foi a Dra. Juliana que foi cooptada para um projeto com a comunidade de pescadores, infelizmente ela sumiu da política perdendo até seu mandato e abandonada por Alan Rick no altar da vida pública. outro caso citado é o de Sônia de Fátima Silva Alves, candidata pelo DEM nas eleições de 2018. Na época, a Polícia Federal apontou indícios de irregularidades envolvendo recursos destinados à candidatura. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Sônia recebeu cerca de R$ 240 mil do diretório nacional do partido e obteve apenas seis votos. A investigação apontou que parte dos recursos teria sido desviada em benefício da campanha de Alan Rick. Rick negou irregularidades e afirmou que a quantidade de recursos se justificava pela necessidade de fortalecer a candidatura.

O episódio acabou colocando Sônia no centro de uma investigação eleitoral e levantando questionamentos sobre a utilização de candidaturas femininas nas disputas eleitorais.

Fernanda Hassem: expectativa de vice e mudança de cenário

Mais recentemente, o nome de Fernanda Hassem, ex-prefeita de Brasiléia, também ganhou destaque nas articulações para a composição da chapa de Alan Rick ao Governo do Acre coisa que logo também não se concretizou.

Em julho, Fernanda declarou publicamente estar preparada para ser candidata a vice-governadora, mas a definição ainda dependia da convenção partidária. Naquele momento, ela e o empresário Rico Leite eram apontados como os nomes cotados para a vaga.

A convenção do Republicanos, realizada em 25 de julho, acabou oficializando a candidatura de Alan Rick ao Governo do Acre e definiu a composição da chapa. O partido também oficializou Mara Rocha, Sérgio Petecão e Júnior Feitosa como candidatos ao Senado.

Para os críticos de Alan Rick, a trajetória de Fernanda Hassem seria mais um exemplo de como expectativas políticas podem ser construídas durante as negociações e posteriormente modificadas.

Mara Rocha entra no centro da disputa

Outro nome feminino que ganhou espaço nesse cenário é o da jornalista e ex-deputada federal Mara Rocha. Inicialmente, havia forte expectativa sobre sua participação na chapa majoritária.

No entanto, a composição política acabou envolvendo também Sérgio Petecão e Júnior Feitosa na disputa pelo Senado. A definição mostra que a estratégia eleitoral de Alan Rick passou a trabalhar com uma composição mais ampla, reunindo diferentes grupos políticos.

A questão que fica para o eleitor é: até que ponto essas alianças representam projetos políticos realmente construídos em conjunto e até que ponto são apenas movimentos estratégicos de uma campanha?

E onde entra Mailza Assis?

Outro capítulo dessa história envolve Mailza Assis, que foi senadora pelo Acre entre 2015 e 2023 e posteriormente assumiu a vice-governadora.

Também existem relatos políticos sobre divergências e distanciamentos entre grupos ligados a Alan Rick e Mailza Assis. Entretanto, essas questões devem ser tratadas como disputas e versões do ambiente político, e não como fatos comprovados sem documentação ou declarações dos envolvidos.

O cenário atual mostra, porém, que Mailza também está no centro da disputa pelo Governo do Acre, enquanto Alan Rick segue em outra frente eleitoral. Em junho, inclusive, houve um confronto político envolvendo publicidade de emendas parlamentares de Alan Rick e uma decisão judicial provocada pelo partido de Mailza.

Afinal, existe um padrão?

A pergunta que circula nos bastidores é inevitável: Alan Rick teria dificuldade em manter mulheres em posições estratégicas dentro de seus projetos políticos?

É uma pergunta que cabe ao eleitor analisar. Os casos de Sônia, Fernanda Hassem e Mara Rocha são diferentes entre si e não podem ser tratados como se fossem situações idênticas. Também não é possível afirmar, sem provas, que essas mulheres tenham sido deliberadamente “enganadas” ou abandonadas.

Mas, na política, alianças deixam marcas. E quando nomes femininos aparecem, ganham força e depois perdem espaço nas negociações, surgem inevitavelmente questionamentos sobre como essas articulações são conduzidas.

No fim das contas, talvez a verdadeira “cereja do bolo” seja justamente essa: em uma eleição marcada por alianças, rupturas e mudanças de estratégia, o eleitor acreano terá a oportunidade de observar quem realmente constrói projetos coletivos e quem apenas utiliza alianças como peças de um jogo eleitoral.

 

Radar News Diário: análise política com espaço para o contraditório e para a manifestação dos envolvidos nesta matéria.