O senador Sergio Moro (PL-PR)
acusou na última terça-feira (23) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Gilmar Mendes de promover um “triste espetáculo” em sua participação no
programa Roda Viva, da TV Cultura. Moro afirma que Gilmar tenta “plantar
nulidades” no caso ao criticar publicamente o colega André Mendonça.
“Triste espetáculo ontem no Roda
Viva, com Gilmar Mendes atacando o trabalho de seu colega ministro e plantando
argumentos para defender futuras nulidades nas investigações do Banco Master.
Desconheço prática semelhante no Direito Alemão, sempre muito citado pelo
ministro”, provocou Moro em sua conta no X.
Moro e Gilmar Mendes há muito
tempo trocam farpas públicas. Na última delas, o decano citou justamente o que
interpreta como “efeitos altamente danosos” da Operação Lava Jato, da qual Moro
foi juiz. Moro rebateu chamando a declaração de “ladainha”. Durante a
entrevista na TV, o ministro declarou que Mendonça cometeu um “erro crasso” ao
participar da proposta de delação.
Segundo ele, “a lei não permite
que o relator participe, ou que o juiz participe, da delação entre o Ministério
Público ou a Polícia Federal e o delator", disse Gilmar. A declaração foi
vista como uma tentativa de projetar uma nulidade do caso no futuro, ao que o
próprio Mendonça reagiu na Segunda Turma.
Como na Lava Jato
Moro não foi o único a criticar a
fala. “Gilmar Mendes já está preparando o terreno para anular o caso Master,
como o STF fez com a Lava Jato. (...) Gilmar Mendes deve ser impedido de julgar
qualquer questão relacionada ao Master no futuro”, escreveu a conta oficial do
partido Novo no X.
“No caso Master, Gilmar Mendes
condenou a forma como André Mendonça está conduzindo a delação de Daniel
Vorcaro. Mas quando o assunto é Mauro Cid, a indignação desaparece. Moraes
participou diretamente da audiência e o Gilmar? Se emocionou, passou pano e
chegou a exaltar Moraes como herói”, escreveu o ex-deputado federal Deltan
Dallagnol.
Dallagnol se referia à delação
premiada do tenente-coronel Mauro Cid, cujo depoimento acabou sendo crucial
para a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.