A Unidade Básica de Saúde (UBS)
de Acrelândia voltou a ser palco de revolta e indignação na última quarta-feira
17. Na pele de quem depende do sistema público, a moradora Liriane viveu
momentos de verdadeiro terror e desrespeito, que resultaram em uma emergência
médica para seu próprio marido e seu acompanhante dentro do posto de
atendimento. A situação escancara a triste realidade enfrentada diariamente
pela população: a inversão de papéis onde a cobrança por um serviço digno é
tratada como desrespeito, enquanto a grosseria de servidores parece passar
impune.
Tudo teve início com uma longa e
exaustiva espera. Após aguardar por mais de 1 hora para ser atendida pela
médica segundo a paciente, Liriane finalmente conseguiu entrar na sala de
consulta. O que deveria ser um momento de acolhimento e cuidado transformou-se
em um ambiente de hostilidade quando a atendente, identificada como Maria,
invadiu o espaço para "tomar satisfação" com a paciente no meio do
atendimento médico.
Assim que a consulta terminou,
indignada com a postura da funcionária, Liriane procurou a atendente para
exigir respeito como cidadã e usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). A reação
à cobrança foi o estopim para uma discussão que afetou a saúde do acompanhante.
O esposo de Liriane, que sofre de diabetes, começou a passar mal diante do
estresse gerado pela situação. Ele precisou ser medicado e ficar sob observação
por várias horas devido a uma alteração brusca e perigosa em sua taxa de
glicose.
Indignada com o descaso, Liriane
expõe uma ferida antiga do serviço público: "Qualquer reclamação que o
paciente faz, na maioria das vezes, é tratada como desacato ao funcionário
público. Mas e a grosseria do funcionário com o paciente, não é crime?",
questiona a moradora.
Palavras da paciente Liriane com a funcionaria: “Se você tem algo contra mim, que
seja pessoal, resolva lá fora comigo. Aqui dentro, você é funcionária. Eu pago
o seu salário, assim como todos eles.
Você chegou com deboche, como se já soubesse qual
seria a resposta. Desculpe, mas eu vou te ensinar uma coisa: respeito. Você
chegou ao consultório e ainda disse: ‘E aí, doutora? Ela já falou para a
senhora o quanto eu sou uma péssima funcionária? O quanto eu trato mal as
pessoas?’
O que é isso? Está querendo fazer novela? Eu estou
aqui porque estou doente. Eu não vim aqui para brincadeira.
Por que você vai fazer isso comigo, Adriana? Me
respeite. Eu te respeito, então você também deve me respeitar. Você é
funcionária, mas eu sou paciente.
Eu não aceito esse tipo de comportamento. Como
profissional, você deve dar exemplo dentro da sua profissão. Eu não sou
qualquer pessoa eu sou paciente.
O SUS não é de graça. Ele é pago com o dinheiro da
população.
Todas as pessoas aqui merecem respeito. E sabe por que
isso acontece? Porque muitas pessoas, por não conhecerem seus direitos, ficam
caladas. Não reagem. Não falam. Mas eu estou abrindo a boca agora.
Respeito é para todos.
Se você está cansada do seu trabalho, peça demissão.
Essa foi a profissão que você escolheu.
Podem me chamar de mal-educada, podem dizer o que
quiserem. Mas eu estou doente, e a senhora viu o que ela fez comigo lá dentro.
Isso não se faz. Eu não admito esse tipo de atitude.”
O episódio reacende um debate
urgente e necessário no município sobre a qualidade do atendimento prestado à
população. Liriane faz questão de lembrar que o sistema não é um favor do
governo, mas um direito financiado pelo suor do trabalhador. "O SUS não é
de graça. Somos nós que pagamos os impostos absurdos que a cada um de nós é
obrigado a pagar. Por isso, exigimos e merecemos ser respeitados e bem
tratados", desabafa.
Procuramos a gerente da unidade a
senhora Islândia segue o texto dela enviado ao Radar News Diário;
sim, fiquei ciente sobre o ocorrido, ouvi o relato da
servidora envolvida e os servidores presentes. E é até muito válido o seu
contato, para deixar público os acontecimentos de desacato ao servidor público
que vem acontecendo com frequência em nossa unidade.
A servidora em questão desempenhando o ofício no setor
de triagem, que fazia os prontuários e triagem dos pacientes, após o término do
preenchimento dos prontuários dos pacientes os mesmos ficam aguardando na
recepção até a médica plantonista chamar conforme urgência classificada pela
médica. A paciente em questão já havia feito o prontuário e triagem, estava com
a pressão relativamente controlada 140x80, e tem algumas comorbidades
patológicas (segundo a mesma) e estava aguardando o chamado médico, a pedido da
médica plantonista a servidora chamou um paciente com constatação de fratura
para atendimento, a paciente que o senhor referiu questionou e desacatou a
servidora justificando suas condições mentais e que a mesma tinha preferência,
dizendo que o atendimento da servidora é péssimo. A servidora tentou acalmar a
mesma falando que a pressão dela só aumentaria e que a médica já a atenderia. A
paciente ficou mesmo assim insultando a servidora achando que foi a servidora
quem organizou a ordem (sendo que foi a médica). Em seguida foi chamado os
demais pacientes (que na ordem era a paciente que o senhor referiu) e a
paciente não questionou com a médica o porquê a paciente da fratura foi chamada
antes dela. A médica solicitou a ajuda da servidora Maria pra achar um pedido
de ressonância e a servidora já abalada por ter sido desacatada, questionou a
paciente se ela havia dito pra médica que o serviço ali era péssimo como havia
dito pra mesmo. Mas em nenhum momento insultou ou xingou a paciente. A médica
estava presente e confirmou a versão da servidora. Após o atendimento médico,
no ato de novamente aferir a pressão arterial, a paciente citada desferiu novos
desacatos e afrontas a servidora na presença do segurança da unidade, abalando
a servidora. Que veio até a gerência em prantos e desestabilizada com o
ocorrido. Em seguida o esposo com a pressão alterada chegou pra atendimento,
mas o mesmo não estava presente no ocorrido. Ficou em observação até a
medicação de pressão fazer efeito e a paciente o acompanhou dentro da unidade,
sem necessidade, orientado pela portaria.
Esses tipos de situação só implicam pro sofrimento
mental dos servidores que estão todos os dias 24 horas de prontidão pra atender
a população de Acrelândia.
Esse é reflexo da saúde Municipal
de Acrelândia.
O município tem 6 unidades de
saúde da família que deveria funcionar para atender ao pública de segunda a
sexta-feira das 7:00 as 11:00 horas e das 13 :00 às 17 :00 horas também nos
ramais para não ficar sobrecarregada a UBS. Com atendimento médico, dentista,
coleta de exames, distribuição de medicamentos e vacinas, mas a falta de
gerenciamento municipal faz com que as unidades não cumpram seus Horários de
funcionamento nos postos de saúde dos ramais e não tem a dispensação de
medicamentos como preconiza o SUS.
O relato serve como um alerta
para as autoridades de saúde local e para a gestão da UBS de Acrelândia. O
cidadão, que paga seus impostos em dia, não pode ser recebido com portas
fechadas ou grosserias por parte de atendente e falta de empatia no momento em
que está mais vulnerável. O respeito não é um privilégio, é o mínimo que se
espera de quem veste a camisa do serviço público.