Falta de respeito e crise de saúde: Paciente denuncia atendimento humilhante na UBS de Acrelândia

Após bate-boca em sala de consulta e espera exaustiva, esposo de paciente precisou ser medicado às pressas. Cidadãos questionam a inversão de valores: "Até quando o contribuinte será tratado como criminoso por exigir seus direitos?"

Da Redação | 19/06/2026

Falta de respeito e crise de saúde: Paciente denuncia atendimento humilhante na UBS de Acrelândia

O paciente sofre maus tratos por isso torna-se culpado sempre (Foto: Luan Martins/Sesacre)

A Unidade Básica de Saúde (UBS) de Acrelândia voltou a ser palco de revolta e indignação na última quarta-feira 17. Na pele de quem depende do sistema público, a moradora Liriane viveu momentos de verdadeiro terror e desrespeito, que resultaram em uma emergência médica para seu próprio marido e seu acompanhante dentro do posto de atendimento. A situação escancara a triste realidade enfrentada diariamente pela população: a inversão de papéis onde a cobrança por um serviço digno é tratada como desrespeito, enquanto a grosseria de servidores parece passar impune.

Tudo teve início com uma longa e exaustiva espera. Após aguardar por mais de 1 hora para ser atendida pela médica segundo a paciente, Liriane finalmente conseguiu entrar na sala de consulta. O que deveria ser um momento de acolhimento e cuidado transformou-se em um ambiente de hostilidade quando a atendente, identificada como Maria, invadiu o espaço para "tomar satisfação" com a paciente no meio do atendimento médico.

Assim que a consulta terminou, indignada com a postura da funcionária, Liriane procurou a atendente para exigir respeito como cidadã e usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). A reação à cobrança foi o estopim para uma discussão que afetou a saúde do acompanhante. O esposo de Liriane, que sofre de diabetes, começou a passar mal diante do estresse gerado pela situação. Ele precisou ser medicado e ficar sob observação por várias horas devido a uma alteração brusca e perigosa em sua taxa de glicose.

Indignada com o descaso, Liriane expõe uma ferida antiga do serviço público: "Qualquer reclamação que o paciente faz, na maioria das vezes, é tratada como desacato ao funcionário público. Mas e a grosseria do funcionário com o paciente, não é crime?", questiona a moradora.

Palavras da paciente Liriane com a funcionaria: “Se você tem algo contra mim, que seja pessoal, resolva lá fora comigo. Aqui dentro, você é funcionária. Eu pago o seu salário, assim como todos eles.

Você chegou com deboche, como se já soubesse qual seria a resposta. Desculpe, mas eu vou te ensinar uma coisa: respeito. Você chegou ao consultório e ainda disse: ‘E aí, doutora? Ela já falou para a senhora o quanto eu sou uma péssima funcionária? O quanto eu trato mal as pessoas?’

O que é isso? Está querendo fazer novela? Eu estou aqui porque estou doente. Eu não vim aqui para brincadeira.

Por que você vai fazer isso comigo, Adriana? Me respeite. Eu te respeito, então você também deve me respeitar. Você é funcionária, mas eu sou paciente.

Eu não aceito esse tipo de comportamento. Como profissional, você deve dar exemplo dentro da sua profissão. Eu não sou qualquer pessoa eu sou paciente.

O SUS não é de graça. Ele é pago com o dinheiro da população.

Todas as pessoas aqui merecem respeito. E sabe por que isso acontece? Porque muitas pessoas, por não conhecerem seus direitos, ficam caladas. Não reagem. Não falam. Mas eu estou abrindo a boca agora.

Respeito é para todos.

Se você está cansada do seu trabalho, peça demissão. Essa foi a profissão que você escolheu.

Podem me chamar de mal-educada, podem dizer o que quiserem. Mas eu estou doente, e a senhora viu o que ela fez comigo lá dentro. Isso não se faz. Eu não admito esse tipo de atitude.”

O episódio reacende um debate urgente e necessário no município sobre a qualidade do atendimento prestado à população. Liriane faz questão de lembrar que o sistema não é um favor do governo, mas um direito financiado pelo suor do trabalhador. "O SUS não é de graça. Somos nós que pagamos os impostos absurdos que a cada um de nós é obrigado a pagar. Por isso, exigimos e merecemos ser respeitados e bem tratados", desabafa.

Procuramos a gerente da unidade a senhora Islândia segue o texto dela enviado ao Radar News Diário;

sim, fiquei ciente sobre o ocorrido, ouvi o relato da servidora envolvida e os servidores presentes. E é até muito válido o seu contato, para deixar público os acontecimentos de desacato ao servidor público que vem acontecendo com frequência em nossa unidade.

A servidora em questão desempenhando o ofício no setor de triagem, que fazia os prontuários e triagem dos pacientes, após o término do preenchimento dos prontuários dos pacientes os mesmos ficam aguardando na recepção até a médica plantonista chamar conforme urgência classificada pela médica. A paciente em questão já havia feito o prontuário e triagem, estava com a pressão relativamente controlada 140x80, e tem algumas comorbidades patológicas (segundo a mesma) e estava aguardando o chamado médico, a pedido da médica plantonista a servidora chamou um paciente com constatação de fratura para atendimento, a paciente que o senhor referiu questionou e desacatou a servidora justificando suas condições mentais e que a mesma tinha preferência, dizendo que o atendimento da servidora é péssimo. A servidora tentou acalmar a mesma falando que a pressão dela só aumentaria e que a médica já a atenderia. A paciente ficou mesmo assim insultando a servidora achando que foi a servidora quem organizou a ordem (sendo que foi a médica). Em seguida foi chamado os demais pacientes (que na ordem era a paciente que o senhor referiu) e a paciente não questionou com a médica o porquê a paciente da fratura foi chamada antes dela. A médica solicitou a ajuda da servidora Maria pra achar um pedido de ressonância e a servidora já abalada por ter sido desacatada, questionou a paciente se ela havia dito pra médica que o serviço ali era péssimo como havia dito pra mesmo. Mas em nenhum momento insultou ou xingou a paciente. A médica estava presente e confirmou a versão da servidora. Após o atendimento médico, no ato de novamente aferir a pressão arterial, a paciente citada desferiu novos desacatos e afrontas a servidora na presença do segurança da unidade, abalando a servidora. Que veio até a gerência em prantos e desestabilizada com o ocorrido. Em seguida o esposo com a pressão alterada chegou pra atendimento, mas o mesmo não estava presente no ocorrido. Ficou em observação até a medicação de pressão fazer efeito e a paciente o acompanhou dentro da unidade, sem necessidade, orientado pela portaria.

Esses tipos de situação só implicam pro sofrimento mental dos servidores que estão todos os dias 24 horas de prontidão pra atender a população de Acrelândia.

Esse é reflexo da saúde Municipal de Acrelândia.

O município tem 6 unidades de saúde da família que deveria funcionar para atender ao pública de segunda a sexta-feira das 7:00 as 11:00 horas e das 13 :00 às 17 :00 horas também nos ramais para não ficar sobrecarregada a UBS. Com atendimento médico, dentista, coleta de exames, distribuição de medicamentos e vacinas, mas a falta de gerenciamento municipal faz com que as unidades não cumpram seus Horários de funcionamento nos postos de saúde dos ramais e não tem a dispensação de medicamentos como preconiza o SUS.

O relato serve como um alerta para as autoridades de saúde local e para a gestão da UBS de Acrelândia. O cidadão, que paga seus impostos em dia, não pode ser recebido com portas fechadas ou grosserias por parte de atendente e falta de empatia no momento em que está mais vulnerável. O respeito não é um privilégio, é o mínimo que se espera de quem veste a camisa do serviço público.