Editorial Radar News Diário
Hoje, no Brasil, cresce entre
parte da população a percepção de que estamos vivendo uma espécie de “ditadura
democrática” uma expressão usada para definir um sistema que mantém eleições e
instituições formalmente democráticas, mas que, na visão de seus críticos,
apresenta sinais de concentração de poder, restrições ao debate público e
decisões institucionais cada vez mais distantes da vontade popular.
A história recente do país mostra
que mudanças profundas de poder raramente acontecem de uma única vez. Elas
podem ocorrer em etapas, por meio de decisões políticas, institucionais e
jurídicas que, isoladamente, parecem pontuais, mas que, somadas, podem transformar
o equilíbrio entre os Poderes da República.
É justamente nesse ponto que está
uma das maiores preocupações do debate nacional: até onde pode ir o poder das
instituições sem que a democracia seja enfraquecida?
Democracia não significa apenas
votar a cada quatro anos. Democracia também significa liberdade de expressão,
direito à crítica, imprensa livre, respeito ao contraditório, independência
entre os Poderes e garantia de que ninguém esteja acima da lei.
O cidadão brasileiro precisa ter
liberdade para apoiar um governo, criticá-lo, elogiar uma decisão judicial ou
questioná-la sem medo de ser tratado como inimigo político. O mesmo vale para
qualquer autoridade, partido ou instituição.
O Radar News Diário entende que o Brasil precisa
discutir esse assunto com seriedade, sem medo e sem transformar adversários
políticos em inimigos. Questionar o poder também é um exercício de democracia.
Se existe concentração excessiva
de poder, ela precisa ser debatida. Se existem abusos, precisam ser
investigados. Se existem erros, precisam ser corrigidos. E se as instituições
estão agindo dentro da Constituição, também é necessário que isso seja explicado
claramente à sociedade.
O perigo para uma democracia não
está apenas em um golpe tradicional. Também pode estar na normalização de
pequenos avanços sobre direitos e liberdades, quando a sociedade deixa de
reagir porque cada medida, isoladamente, parece justificável.
Por isso, o debate precisa
permanecer aberto.
O Brasil não pertence a um
partido, a um presidente, a um ministro, ao Congresso ou a qualquer grupo
político. O Brasil pertence aos brasileiros.
E uma democracia verdadeiramente
forte não teme cidadãos questionadores, imprensa independente e instituições
submetidas à Constituição.
Radar News Diário: opinião editorial.