A história do Distrito Industrial
de Acrelândia começa com um sonho: transformar uma área planejada em um
verdadeiro polo de produção, geração de emprego e renda. A proposta surgiu na
gestão do então prefeito Tião Bocalom, que defendia a criação de um espaço
separado da área residencial, onde máquinas, trabalhadores e empresas pudessem
funcionar sem provocar os transtornos naturais das atividades industriais
dentro da cidade.
Bocalom e sua equipe pensaram,
planejaram, adquiriram a área, fizeram a demarcação e abriram espaço para que
empreendedores pudessem instalar seus galpões e desenvolver suas atividades.
A ideia era simples e objetiva:
dar condições para quem queria trabalhar, produzir, gerar renda e empregar
outras famílias.
Mas o tempo passou.
E aquilo que poderia ter se
transformado em um dos principais motores da economia de Acrelândia acabou
perdendo força.
O que aconteceu com o sonho da
industrialização?
Essa é uma pergunta que precisa
ser feita aos gestores públicos que passaram pelo município e também aos
governos que, ao longo dos anos, tiveram responsabilidade pela política de
desenvolvimento econômico do Acre.
Não se trata apenas de defender o
legado de uma administração ou atacar outra. Trata-se de olhar para uma
realidade que está diante dos olhos da população: um Estado que produz muito,
mas ainda industrializa pouco.
O Acre possui produção agrícola,
pecuária, madeira legalizada, produtos da agricultura familiar e inúmeras
matérias-primas. Entretanto, muitas vezes o produto sai daqui com pouco valor
agregado e retorna ao consumidor muito mais caro depois de ser industrializado
em outros estados.
Onde está a indústria acreana?
Onde estão os empregos? Onde estão as grandes agroindústrias? Onde estão os
investimentos capazes de transformar a produção do campo em riqueza dentro do
próprio Estado?
O Acre não pode viver eternamente
de Brasília
Durante décadas, o discurso
político prometeu desenvolvimento. Mas desenvolvimento não se constrói somente
com convênios, emendas parlamentares, repasses federais e obras públicas.
O Estado precisa criar sua
própria capacidade de produzir riqueza.
É preciso incentivar quem planta,
quem cria, quem transforma, quem comercializa e quem emprega.
Enquanto isso não acontece,
famílias continuam enfrentando dificuldades, jovens deixam seus municípios em
busca de oportunidades e pequenos produtores permanecem presos a uma realidade
em que produzem muito, mas recebem pouco pelo resultado do próprio trabalho.
E aqui está uma das grandes
contradições do Acre: temos matéria-prima, mas muitas vezes exportamos o valor
agregado junto com ela.
E onde entra a política?
É justamente aí que o cidadão
precisa abrir os olhos.
Governos mudam. Prefeitos mudam.
Deputados mudam. Senadores mudam. Mas os problemas continuam.
De quatro em quatro anos aparecem
promessas de desenvolvimento, geração de empregos e fortalecimento do setor
produtivo. Depois das eleições, muitas dessas promessas desaparecem.
O agricultor continua esperando. O
empresário continua esperando. O jovem continua esperando. E o trabalhador
continua procurando uma oportunidade.
Não é possível falar em
desenvolvimento enquanto distritos industriais permanecem sem a estrutura
necessária para cumprir sua finalidade.
Acrelândia precisa reagir
O Distrito Industrial de
Acrelândia não pode ser tratado como um simples pedaço de terra dividido em
lotes.
Ali deveria existir uma política
permanente de desenvolvimento.
Infraestrutura, energia, acesso,
segurança, incentivo fiscal, assistência técnica, crédito e apoio ao
empreendedor precisam fazer parte de uma estratégia séria para transformar o
espaço em um polo de produção.
Acrelândia tem vocação para o
agronegócio, para a agricultura familiar, para a agroindústria e para pequenas
e médias empresas.
O que falta é transformar essa
vocação em política pública. Chega de discurso. O produtor quer resultado.
O Acre precisa parar de discutir
apenas quem será o próximo governador, prefeito, deputado ou senador e começar
a discutir qual projeto de Estado esses candidatos têm para gerar emprego e
renda.
O eleitor precisa perguntar:
Quantas empresas serão atraídas? Quantos
empregos serão criados? Como o agricultor poderá industrializar sua produção? Como
a matéria-prima acreana poderá ser transformada dentro do próprio Acre? O que
será feito para recuperar e estruturar os distritos industriais dos municípios?
Essas perguntas são mais
importantes do que discursos bonitos em palanques.
O cidadão não quer apenas
promessa. Quer oportunidade. O trabalhador não quer favor. Quer emprego. O
produtor não quer discurso. Quer mercado. E o empresário não quer somente
promessa de incentivo. Quer infraestrutura e segurança para investir.
O Acre precisa despertar
Se existe um grande desafio para
o Acre, é deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e começar a ser
também um Estado que transforma, industrializa e agrega valor àquilo que
produz.
Acrelândia pode voltar a discutir
seu Distrito Industrial como parte de um novo projeto de desenvolvimento. Mas
para isso é necessário vontade política, planejamento e, principalmente,
continuidade administrativa.
O sonho não morreu.
O que morreu foi a disposição de
muitos governantes de transformar o discurso em realidade. Está na hora de
ressuscitar o projeto, recuperar o setor produtivo e devolver ao trabalhador
acreano aquilo que ele mais deseja: a oportunidade de trabalhar, produzir e
sustentar sua família com dignidade.
Porque um Estado que tem terra,
produção e trabalhadores, mas não consegue gerar oportunidades, precisa
urgentemente perguntar:
ATÉ QUANDO VAMOS PRODUZIR RIQUEZA
PARA OS OUTROS E IMPORTAR EMPREGO DE FORA?
Radar News: informação, opinião e
cobrança em defesa do desenvolvimento do Acre e Acrelândia.