Distrito industrial de Acrelândia: de sonho de Bocalom ao abandono ao abandono do poder Público

Um projeto que nasceu para gerar emprego, renda e desenvolvimento acabou se transformando em símbolo da falta de planejamento e da ausência de uma política industrial para Acrelândia e para o Acre

Da Redação | 29/08/2026

Distrito industrial de Acrelândia: de sonho de Bocalom ao abandono ao abandono do poder Público

O sonho acabou (Foto: Radar News Diário)

A história do Distrito Industrial de Acrelândia começa com um sonho: transformar uma área planejada em um verdadeiro polo de produção, geração de emprego e renda. A proposta surgiu na gestão do então prefeito Tião Bocalom, que defendia a criação de um espaço separado da área residencial, onde máquinas, trabalhadores e empresas pudessem funcionar sem provocar os transtornos naturais das atividades industriais dentro da cidade.

Bocalom e sua equipe pensaram, planejaram, adquiriram a área, fizeram a demarcação e abriram espaço para que empreendedores pudessem instalar seus galpões e desenvolver suas atividades.

A ideia era simples e objetiva: dar condições para quem queria trabalhar, produzir, gerar renda e empregar outras famílias.

Mas o tempo passou.

E aquilo que poderia ter se transformado em um dos principais motores da economia de Acrelândia acabou perdendo força.

O que aconteceu com o sonho da industrialização?

Essa é uma pergunta que precisa ser feita aos gestores públicos que passaram pelo município e também aos governos que, ao longo dos anos, tiveram responsabilidade pela política de desenvolvimento econômico do Acre.

Não se trata apenas de defender o legado de uma administração ou atacar outra. Trata-se de olhar para uma realidade que está diante dos olhos da população: um Estado que produz muito, mas ainda industrializa pouco.

O Acre possui produção agrícola, pecuária, madeira legalizada, produtos da agricultura familiar e inúmeras matérias-primas. Entretanto, muitas vezes o produto sai daqui com pouco valor agregado e retorna ao consumidor muito mais caro depois de ser industrializado em outros estados.

Onde está a indústria acreana? Onde estão os empregos? Onde estão as grandes agroindústrias? Onde estão os investimentos capazes de transformar a produção do campo em riqueza dentro do próprio Estado?

O Acre não pode viver eternamente de Brasília

Durante décadas, o discurso político prometeu desenvolvimento. Mas desenvolvimento não se constrói somente com convênios, emendas parlamentares, repasses federais e obras públicas.

O Estado precisa criar sua própria capacidade de produzir riqueza.

É preciso incentivar quem planta, quem cria, quem transforma, quem comercializa e quem emprega.

Enquanto isso não acontece, famílias continuam enfrentando dificuldades, jovens deixam seus municípios em busca de oportunidades e pequenos produtores permanecem presos a uma realidade em que produzem muito, mas recebem pouco pelo resultado do próprio trabalho.

E aqui está uma das grandes contradições do Acre: temos matéria-prima, mas muitas vezes exportamos o valor agregado junto com ela.

E onde entra a política?

É justamente aí que o cidadão precisa abrir os olhos.

Governos mudam. Prefeitos mudam. Deputados mudam. Senadores mudam. Mas os problemas continuam.

De quatro em quatro anos aparecem promessas de desenvolvimento, geração de empregos e fortalecimento do setor produtivo. Depois das eleições, muitas dessas promessas desaparecem.

O agricultor continua esperando. O empresário continua esperando. O jovem continua esperando. E o trabalhador continua procurando uma oportunidade.

Não é possível falar em desenvolvimento enquanto distritos industriais permanecem sem a estrutura necessária para cumprir sua finalidade.

Acrelândia precisa reagir

O Distrito Industrial de Acrelândia não pode ser tratado como um simples pedaço de terra dividido em lotes.

Ali deveria existir uma política permanente de desenvolvimento.

Infraestrutura, energia, acesso, segurança, incentivo fiscal, assistência técnica, crédito e apoio ao empreendedor precisam fazer parte de uma estratégia séria para transformar o espaço em um polo de produção.

Acrelândia tem vocação para o agronegócio, para a agricultura familiar, para a agroindústria e para pequenas e médias empresas.

O que falta é transformar essa vocação em política pública. Chega de discurso. O produtor quer resultado.

O Acre precisa parar de discutir apenas quem será o próximo governador, prefeito, deputado ou senador e começar a discutir qual projeto de Estado esses candidatos têm para gerar emprego e renda.

O eleitor precisa perguntar:

Quantas empresas serão atraídas? Quantos empregos serão criados? Como o agricultor poderá industrializar sua produção? Como a matéria-prima acreana poderá ser transformada dentro do próprio Acre? O que será feito para recuperar e estruturar os distritos industriais dos municípios?

Essas perguntas são mais importantes do que discursos bonitos em palanques.

O cidadão não quer apenas promessa. Quer oportunidade. O trabalhador não quer favor. Quer emprego. O produtor não quer discurso. Quer mercado. E o empresário não quer somente promessa de incentivo. Quer infraestrutura e segurança para investir.

O Acre precisa despertar

Se existe um grande desafio para o Acre, é deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e começar a ser também um Estado que transforma, industrializa e agrega valor àquilo que produz.

Acrelândia pode voltar a discutir seu Distrito Industrial como parte de um novo projeto de desenvolvimento. Mas para isso é necessário vontade política, planejamento e, principalmente, continuidade administrativa.

O sonho não morreu.

O que morreu foi a disposição de muitos governantes de transformar o discurso em realidade. Está na hora de ressuscitar o projeto, recuperar o setor produtivo e devolver ao trabalhador acreano aquilo que ele mais deseja: a oportunidade de trabalhar, produzir e sustentar sua família com dignidade.

Porque um Estado que tem terra, produção e trabalhadores, mas não consegue gerar oportunidades, precisa urgentemente perguntar:

ATÉ QUANDO VAMOS PRODUZIR RIQUEZA PARA OS OUTROS E IMPORTAR EMPREGO DE FORA?

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