Cármen Lúcia derruba multa imposta por Moraes por suposta “desinformação” em 2023

Quer aparecer como boazinha no final do mandato no TSE

Por: Edilberto Araújo | 11/05/2026

Cármen Lúcia derruba multa imposta por Moraes por suposta “desinformação” em 2023

Acredite se quiser ( (Foto: Luiz Silveira/STF))

A ainda presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, anulou uma multa que poderia chegar a R$ 600 mil contra a dona de um perfil na rede social X por suposta divulgação de "desinformação" durante o período pós-eleitoral de 2022. A punição havia sido determinada em 2023 pelo ministro Alexandre de Moraes, mas a ministra concluiu que a cobrança foi aplicada de forma indevida.

A decisão favorável a Rita de Cássia Serrão foi publicada em junho de 2025, após pedido apresentado pela defesa da usuária. O entendimento de Cármen Lúcia acompanhou parecer do Ministério Público Eleitoral, que também considerou irregular a aplicação da penalidade.

A magistrada ainda destacou que não houve comunicação formal prévia sobre a imposição da multa e que não foram identificados conteúdos ilegais nas publicações analisadas.

“Ausente a intimação da decisão que determinou a aplicação de multa em caso de reiteração de conteúdo já bloqueado nos autos e não identificadas publicações contendo desinformação ou apologia a atos atentatórios à Justiça Eleitoral e ao Estado democrático de Direito, indevida a cobrança de multa fixada na decisão”, escreveu a ministra segundo apuração publicada nesta segunda-feira (11) pela Folha de S. Paulo.

Cármen Lúcia preside o TSE até esta terça-feira (12), quando o ministro Kássio Nunes Marques tomará posse do cargo. É ele quem conduzirá as eleições presidenciais deste ano e, segundo pessoas próximas, deve adotar um tom menos restritivo ao aplicado por Moraes em 2022, quando determinava a suspensão deliberada de perfis e postagens que considerava nocivos ao processo eleitoral.

O caso de Rita de Cássia Serrão teve origem em novembro de 2022, quando Moraes determinou a suspensão de diversos perfis nas redes sociais em meio às contestações sobre o resultado das eleições presidenciais. As contas foram enquadradas pelo TSE por suposta divulgação de conteúdos considerados desinformativos contra a integridade do processo eleitoral.

Em janeiro de 2023, o ministro autorizou a reativação dos perfis e estabeleceu multa diária de R$ 20 mil em caso de repetição das publicações. Segundo o processo, porém, os usuários não foram notificados diretamente sobre a penalidade, já que as determinações foram encaminhadas apenas às plataformas digitais.