Na política, o tempo tem o poder
de revelar quem estava certo. Durante anos, Tião Bocalom foi tratado por muitos
como apenas um insistente defensor da agricultura, mas sua persistência acabou
transformando-o em algo maior: um verdadeiro professor prático para Jorge
Viana. Enquanto um pregava que a riqueza do Acre nasceria da terra, o outro
apostava em modelos que limitaram a produção rural. Hoje, ironicamente, a
própria realidade parece ter colocado Jorge Viana na sala de aula de Bocalom,
aprendendo, na prática, aquilo que o “pregador insistente” sempre ensinou.
Durante décadas, muitos
desacreditaram de uma tese que hoje se mostra cada vez mais evidente no Acre: a
de que a verdadeira independência econômica do homem do campo nasce da produção
agrícola. Entre os que defenderam essa visão com firmeza, um nome sempre esteve
em destaque: Tião Bocalom, um homem que jamais deixou de pregar o potencial da
terra como fonte de riqueza, dignidade e prosperidade.
Bocalom se tornou conhecido por
sua insistência em defender a agricultura como o principal caminho para geração
de renda e desenvolvimento regional. Mesmo diante de críticas e resistência
política, ele sempre sustentou que o Acre possui terra fértil e capacidade
produtiva para transformar a vida dos agricultores, especialmente por meio da
agricultura familiar.
Quando conheceu Jorge Viana,
Bocalom apresentou um projeto voltado ao fortalecimento do campo. A proposta
tinha como foco incentivar o plantio de culturas estratégicas como café, milho,
soja, arroz, feijão e banana produtos essenciais para o abastecimento interno
e capazes de gerar excedente comercializável. Na visão de Bocalom, isso daria
aos colonos autonomia financeira e reduziria a dependência de políticas
assistencialistas.
No entanto, Jorge Viana seguiu
por outro caminho ao adotar o modelo da chamada Florestania, uma política que
priorizou a preservação ambiental sob forte regulação estatal. Para muitos
produtores rurais, esse modelo trouxe mais burocracia, restrições e dificuldades
para quem depende diretamente da terra para sobreviver. Em vez de facilitar a
produção, aumentaram-se os entraves legais e administrativos no campo.
Três décadas depois, o cenário
parece ter mudado. Após 30 anos de defesa incansável da agricultura, Bocalom vê
sua tese ganhar força até entre antigos opositores. Um exemplo simbólico disso
é o próprio Jorge Viana, que hoje se dedica à cafeicultura e tem promovido sua
produção de café publicamente, carregando amostras e divulgando sua lavoura por
onde passa.
Para muitos, essa mudança
representa uma espécie de reconhecimento tardio de que Bocalom estava certo
desde o início. O café, antes defendido como alternativa econômica viável para
pequenos produtores, agora aparece como símbolo de uma atividade capaz de gerar
renda, emprego e desenvolvimento.
Fica a reflexão: onde estaria o
Acre hoje se, há 30 anos, tivesse apostado de forma mais decisiva em uma
política de expansão agrícola sustentável? Muitos acreditam que o estado
poderia ter alcançado um patamar muito maior de produção, competitividade e pujança
econômica.
O tempo, muitas vezes, é o maior
juiz da política. E no caso desse debate, ele parece dar razão ao “pregador
insistente”. Bocalom sempre acreditou que a prosperidade brota da terra.
Afinal, é dela que nasce a produção, o alimento, a riqueza e o sustento da
humanidade.
Hoje, mais do que nunca, sua
mensagem ecoa com força: quando se planta com visão, colhe-se transformação.