A luta dos profissionais da
educação de Porto Walter, no Acre, por um direito garantido em lei finalmente
começou a gerar resultados concretos. Após meses de cobranças, ações judiciais,
denúncias e intensa mobilização da categoria, a Prefeitura recuou e efetuou, na
última terça-feira (23), o pagamento da chamada sexta parte salarial,
benefício que vinha sendo negado desde novembro de 2025.
A mudança de postura da gestão
municipal aconteceu em meio à crescente insatisfação dos servidores, que já se
organizavam para realizar uma manifestação pública na próxima quinta-feira (25),
justamente durante as comemorações do aniversário da cidade. A pressão aumentou
a ponto de o prefeito convocar o representante do Sinteac (Sindicato dos
Trabalhadores em Educação de Porto Wlter/Acre) no município para uma reunião de negociação.
Mesmo diante de autorizações e
determinações já respaldadas pelo Ministério Público, a administração municipal
vinha resistindo ao cumprimento da obrigação legal, demonstrando desrespeito
aos direitos da categoria e prolongando uma situação que poderia ter sido
resolvida sem desgaste. O pagamento só foi realizado após forte pressão da
classe.
A sexta parte salarial é
assegurada pelo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) da categoria,
com base no artigo 11, § 5º, da Lei nº 279/2016, que garante ao professor que
completar 25 anos de regência em sala de aula ou atividades correlatas, nas
condições previstas em lei, o direito ao acréscimo salarial sobre seus
vencimentos básicos.
Embora o benefício seja um
direito claro, ele vinha sendo ignorado pela gestão. Até então, os servidores
haviam recebido a sexta parte por apenas dois meses, antes da interrupção dos
pagamentos em novembro de 2025. Diante da omissão, muitos profissionais
recorreram à Justiça e aos meios de comunicação para tornar pública a situação
disse a professora Erunia.
Como a categoria já não confiava
apenas em promessas verbais da administração, a negociação exigiu formalização.
Foi necessário que o compromisso fosse registrado em documento oficial assinado
pelo procurador do município, estabelecendo prazos e responsabilidades para os
pagamentos futuros comentou a professora Alcilene.
No acordo firmado, ficou definido
que os valores da sexta parte que deixaram de ser pagos desde novembro serão
quitados de forma retroativa nos próximos pagamentos. Além disso, a Prefeitura
assumiu o compromisso de que, a partir de agora, o benefício será depositado
mensalmente para todos os servidores que atendem aos requisitos legais.
A conquista mostra que direitos
muitas vezes só são respeitados quando há união, mobilização e resistência. O
caso de Porto Walter deixa um recado claro: quando o poder público falha em
cumprir a lei, a organização da categoria se torna a principal ferramenta de
defesa da dignidade profissional. Concluiu a professora Alcione.
A vitória dos profissionais da
educação não representa apenas um ganho financeiro, mas também um marco de
resistência contra o descaso administrativo. Fica a reflexão: se a lei já
existia, por que foi preciso tanta pressão para que fosse cumprida?