(ACRELÂNDIA (AC) Imagine dois
pequenos agricultores vivendo no mesmo estado. Um mora em Acrelândia e, ao
precisar de uma máquina pública para preparar a terra, encontra uma legislação
municipal que estabelece cobrança por hora de serviço e Diesel. O outro vive em
Rio Branco, onde a Prefeitura mantém programas de apoio à agricultura familiar
com mecanização, assistência técnica, insumos e outras ações voltadas à redução
dos custos de produção.
A comparação levanta uma questão
que merece ser esclarecida: quanto o poder público pode assumir dos custos para
ajudar o pequeno produtor a produzir?
Segundo publicação oficial de 14
de agosto de 2026, a Prefeitura de Rio Branco informa que serviços de
mecanização agrícola, aquisição de insumos, locação de máquinas e outras
atividades de apoio rural são realizados com recursos próprios do Município.
Acrelândia prevê cobrança pela
hora-máquina
Em 2021, durante a administração
do então prefeito Olavo Francelino de Rezende, o Olavinho Boiadeiro, foi
sancionada a Lei Municipal nº 765, que alterou legislação anterior e
estabeleceu valores de contrapartida para o uso de máquinas, implementos e transporte
do Município.
De acordo com a legislação
apresentada para esta apuração, determinadas máquinas podem ter contrapartida
de até R$ 80 por hora o Agricultor pagar o Diesel. Também estão previstos
valores para determinados implementos e serviços de transporte.
Na prática:
10 horas de máquina a R$ 80 = R$
800
20 horas = R$ 1.600
Para uma família que depende de
uma pequena propriedade rural, uma despesa dessa dimensão pode representar
recursos que deixariam de ser utilizados na compra de sementes, adubo, ração,
combustível e outros insumos para sua propriedade.
E o combustível está incluído?
Esse é um dos pontos que precisam
ser esclarecidos pela administração municipal.
A cobrança prevista na legislação
precisa ser analisada juntamente com a forma como o Município fornece
combustível para a execução dos serviços. O agricultor precisa saber, de
maneira transparente, o que está incluído no valor da hora-máquina e quais despesas
ficam sob responsabilidade do produtor.
A questão é simples: ao pagar
pela utilização da máquina pública, o agricultor está pagando apenas pelo
serviço da máquina ou também precisa arcar separadamente com o combustível?
Essa informação deveria estar
clara para quem solicita o serviço.
Secretaria de Agricultura também
possui despesas com combustível
Documentos apresentados para esta
apuração indicam que a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente
possui contratos para aquisição de gasolina comum, diesel comum, diesel S-10 e
lubrificantes.
Um dos contratos mencionados tem
valor inicial de R$ 438.350, posteriormente acrescido em 25%, chegando a R$
547.937,50.
É importante destacar que o valor
contratado não significa, necessariamente, que todo o montante tenha sido
efetivamente gasto, nem que todo o combustível tenha sido utilizado
exclusivamente nas máquinas destinadas aos agricultores.
Por isso, uma das informações que
o produtor rural pode cobrar é: quanto do combustível adquirido pela Secretaria
é destinado efetivamente aos serviços de mecanização e apoio às propriedades
rurais da agricultura familiar?
Rio Branco adota outro modelo de
apoio
Na capital, a Prefeitura de Rio
Branco vem divulgando programas de apoio à agricultura familiar que incluem
mecanização agrícola, assistência técnica e distribuição de insumos.
Em agosto de 2026, a
administração municipal informou que serviços como mecanização agrícola,
aquisição de insumos, locação de máquinas e outras atividades são custeados com
recursos próprios do Município. A Prefeitura também afirmou que o transporte da
produção é oferecido sem custo aos agricultores atendidos pela ação.
Em maio, o Município anunciou o
Programa de Mecanização Agrícola 2026, com investimentos previstos para
beneficiar produtores familiares. A programação incluiu fertilizantes,
calcário, mudas e outras ações de apoio à produção.
Mas existe uma diferença
importante: a legislação de Rio Branco também estabelece, no programa Patrulha
Mecanizada, que determinados beneficiários podem ser responsáveis pelo custo do
combustível consumido. Nesse modelo, o Município assume os custos dos insumos e
serviços, além de manutenção, operador e deslocamento.
Ou seja, os dois municípios
adotam modelos que não são necessariamente iguais. A comparação, portanto, não
significa que Acrelândia tenha obrigação de copiar Rio Branco, mas mostra que
existem diferentes formas de distribuir os custos da mecanização entre
Prefeitura e produtor rural.
Olavinho precisa explicar qual
modelo defende hoje
A Lei Municipal nº 765 foi
sancionada durante a gestão de Olavinho Boiadeiro. Atualmente, o ex-prefeito
disputa uma vaga de deputado estadual e apresenta a agricultura como uma das
áreas que pretende defender.
Diante disso, os agricultores
podem buscar respostas objetivas:
Por que foi adotado o modelo de
contrapartida pela utilização das máquinas?
O combustível deveria estar
incluído no custo da hora-máquina?
O Município poderia subsidiar uma
parcela maior do serviço para os pequenos produtores?
Qual modelo de apoio à
agricultura familiar ele defende atualmente?
Caso eleito deputado estadual,
quais medidas pretende defender para reduzir os custos de produção dos
agricultores familiares?
São perguntas que podem ajudar o
produtor a entender quais propostas existem para o futuro da agricultura
familiar em Acrelândia.
A questão central é quem paga a
conta
A realidade dos municípios é
diferente, e cada Prefeitura possui orçamento, legislação e programas próprios.
Em Rio Branco, a administração
municipal divulga investimentos em mecanização, assistência técnica e insumos,
enquanto a legislação da Patrulha Mecanizada estabelece responsabilidades
específicas para o Município e para o beneficiário, inclusive quanto ao
combustível.
Em Acrelândia, a legislação
estabelece valores de contrapartida para determinados serviços de máquinas e
implementos.
Diante disso, a pergunta que
permanece para o debate público é direta:
Até que ponto o Município deve
dividir com o agricultor os custos necessários para colocar a produção rural em
funcionamento?
Para o pequeno produtor, não se
trata apenas de uma discussão administrativa. Cada hora de máquina, cada litro
de diesel e cada saco de adubo representam dinheiro que sai do orçamento de uma
família que depende da terra para sobreviver.
Por isso, o agricultor tem
direito a saber, com clareza e transparência, quanto custa o serviço, quanto
ele paga e quanto o poder público investe para ajudá-lo a produzir.