A crise instalada no Supremo
Tribunal Federal a partir das discussões sobre a investigação sobre possível
envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master pode terminar sem
uma resposta, na avaliação do constitucionalista Marcelo Figueiredo. Em
entrevista a Marcela Rahal no VEJA em Foco, o professor da PUC afirmou que
existe o risco de a apuração ser anulada ou arquivada por questões processuais
e cobrou uma definição sobre a possibilidade de investigar integrantes do
tribunal.
“Essa é uma preocupação muito
grande do juiz, da classe jurídica e, evidentemente, de toda a sociedade civil
organizada”, afirmou Figueiredo. Para ele, a sessão do Supremo deixou sem resposta
uma questão que considera básica: “Um ministro do Supremo Tribunal Federal que
tenha cometido algum delito, algum crime, pode ou não ser investigado?”.
Segundo o constitucionalista, a
legislação brasileira oferece instrumentos para investigar eventual crime
atribuído a qualquer ministro do STF. Ele também afirmou que ninguém deve ser
considerado culpado antecipadamente e defendeu que eventuais autoridades
citadas nas investigações tenham direito de defesa.
Por que Figueiredo vê risco de
uma investigação ser barrada?
O professor criticou o que
classificou como uma tentativa de blindagem de integrantes do Supremo. Na
avaliação dele, ministros que apoiam Alexandre de Moraes teriam atuado para
impedir que uma investigação avançasse. “Existe uma tentativa de blindagem para
não investigar ministros, o que é uma clara violação do direito”, declarou.