Por: Edilberto Araújo | 15/05/2026
Que coisa absurda está acontecendo na PF (Foto: Divulgação/PF)
A Polícia Federal (PF) substituiu
o delegado Guilherme Figueiredo Silva, responsável por apurar fraudes no INSS e
autor do pedido de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, o
"Lulinha", filho mais velho do presidente. A troca no comando das
investigações foi alvo de críticas da oposição, que agora exige explicações do
diretor-geral da corporação.
O delegado chefiava a Divisão de
Repressão a Crimes Previdenciários e conduzia o inquérito sobre as fraudes em
aposentadorias desde que o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF),
devido ao foro privilegiado de investigados. A substituição teria ocorrido a
pedido do próprio policial, que pretende retornar a Minas Gerais, seu estado de
origem. No entanto, a mudança gerou questionamentos do ministro André Mendonça,
que cobrou esclarecimentos de integrantes da PF em reunião desta sexta no STF,
conforme apurou a nossa reportagem do radarnewsdiario.com.br.
A PF investiga o suposto elo
entre Lulinha e Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além
de uma viagem planejada pelo filho do presidente à Espanha. Apura-se a
existência de uma triangulação de recursos e o uso de empresas de fachada em um
esquema bilionário de fraudes previdenciárias. A CPMI do INSS viu indícios de
crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e
corrupção passiva.
O delegado substituído foi o
responsável pelo pedido de prisão do "Careca do INSS". A defesa de
Lulinha, por sua vez, criticava a condução do caso, alegando falta de
embasamento probatório para a investigação. Embora Lulinha admita conhecer o suspeito
e ter viajado com ele para Portugal, nega qualquer irregularidade e disse que o
conheceu através de uma amiga em comum e com intenção de tratar de negócios da
cannabis medicinal.
Procurados, os advogados de
Lulinha ainda não responderam ao contato para comentar a troca do delegado do
caso.
Reações da oposição
A substituição ocorreu no início
de maio, mas tornou-se pública apenas nesta sexta-feira (15), provocando reação
imediata dos parlamentares de oposição. O líder da bancada do PL na Câmara,
Sóstenes Cavalcante, protocolou um requerimento para ouvir o diretor-geral da
PF, Andrei Rodrigues.
“A troca ocorre em um momento
extremamente sensível das investigações. Quando Jair Bolsonaro tentou
substituir um superintendente da Polícia Federal, houve reação imediata de
setores políticos, da imprensa e até do STF, sob o argumento de defesa da
autonomia da PF”, publicou Sóstenes na rede social X.
O senador Carlos Viana (PSD-MG)
também manifestou a intenção de convocar o diretor da corporação, reforçando
que a troca do responsável pelo caso exige "transparência absoluta e
respostas claras à sociedade".