Fala acre de Alan Rick, quantas famílias enganadas pelo instituto Léo Moura no Acre?
Que bom que agora tem o fala Acre para tirar as duvidas e denunciar os desmando dos políticos sujos na justiça também parabéns
Por Renan Ramalho Brasília | 20/04/2026
O Brasil precisa de uma faxina geral ((Foto: Carlos Moura/Agência Senado))
Maquiavel ensinava que, não sendo
possível ao governante ser amado e temido ao mesmo tempo pelo povo, era
preferível que ele fosse obedecido pelo medo. “Os homens têm menos receio de
ofender alguém que se faça amar do que alguém que se faça temer “O temor é
mantido por medo ao castigo, e este medo jamais abandona os indivíduos”,
escreveu o pensador florentino no capítulo XVII de O Príncipe.
Pois parece ser essa a receita
que alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm adotado, de forma
desmesurada, com a queda vertiginosa da confiança, admiração e respeito dos
brasileiros, registrada nas últimas pesquisas de opinião.
Quando representantes legítimos
da população se propõem a colocar as coisas no lugar e expressam essa
insatisfação, catalisando assim a ojeriza, passam a ser cruelmente perseguidos.
O objetivo é que sirvam de exemplo, para que os incautos não ousem, jamais,
atingir a “honorabilidade” dos doutos magistrados. Foi assim com Daniel
Silveira e Jair Bolsonaro, e se repete agora com Alessandro Vieira e Romeu
Zema.
Na semana passada, em reação a um
voto de um senador da República que propunha indiciar três ministros por crimes
de responsabilidade no caso Master, um deles requereu ao chefe do Ministério
Público investigação contra o primeiro por abuso de autoridade.
O voto de Alessandro Vieira era,
juridicamente, inofensivo: não era capaz de abrir um inquérito criminal contra
Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, tampouco de levá-los ao
impeachment. Ademais, foi rejeitado pela maioria, formada às pressas pelo
governo, dentro da CPI do Crime Organizado.
Pelo mero dissabor que causou aos
ministros, o senador agora está em vias de ser condenado criminalmente a penas
de prisão pelos mesmos ministros que incomodou, e ainda a ser banido da vida
pública com a inelegibilidade eleitoral.
Nesta segunda-feira (20),
soube-se que o ex-governador de Minas Gerais poderá sofrer as mesmas
consequências porque compartilhou nas redes sociais um vídeo de humor, em que
dois ministros aparecem como fantoches. A peça satiriza o caso real em que
Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo da empresa de Dias Toffoli, por
iniciativa de Vieira naquela mesma CPI, para rastrear a rede de influência do
Banco Master.
Gilmar pediu ao colega Alexandre
de Moraes que investigue Zema no draconiano inquérito das fake news. Por causa
de uma piada, o ex-governador pode ser retirado das eleições deste ano. O mesmo
pode ocorrer com Sergio Moro, o ex-juiz e senador que cometeu a atrocidade de
fazer chacota com o decano do STF numa festa junina.
Por iniciativa dos próprios
ministros, todos esses atos de retaliação são divulgados de forma ostensiva na
imprensa e pelos canais oficiais de comunicação do STF. O objetivo não
declarado, mas indisfarçável, é incutir o temor. O método agora se volta contra
os senadores, os únicos com o poder constitucional de frear a Corte – mas que,
ante uma realidade problemática que nossos constituintes não conseguiram
prever, tornaram-se presas fáceis dos juízes que deveriam vigiar.
O que o Supremo, no entanto, está
fomentando com esses atos é algo que não convém a um governante, segundo
Maquiavel: o ódio simultâneo de súditos e poderosos. Foi o sentimento que moveu
a horda de mais de mil revoltados a vandalizar a sede do tribunal em 8 de
janeiro de 2023. A dura pena imposta a eles e a atuação explícita dos ministros
contra qualquer anistia que aliviasse a dor de suas famílias e a ruína de seus
bens só fez ampliar a raiva geral.
E quando a maioria do povo passa
a repudiar um governante de tal modo, ele fica vulnerável à conspiração.
Autoridades menores e aspirantes a um poder maior passam a querer derrubá-lo
para satisfazer a população.
Segundo Maquiavel, as
“dificuldades com que os conspiradores têm de se defrontar são infinitas” como
prova o atual poder de fogo do Supremo, mas se o governante não tiver um apoio
mínimo entre súditos e poderosos que é para onde aponta a curva descendente das
pesquisas – ele deve “recear tudo de todos” (capítulo XIX).
Foi o que, segundo o autor de O
Príncipe, levou à queda do imperador Maximino. Primeiro veio a rebelião do
povo, depois a oposição do Senado de Roma e, por fim, a traição por seu próprio
exército. As investigações mais recentes da Polícia Federal, outrora
subserviente ao STF, apontam que esse terceiro estágio já foi deflagrado.
Se as urnas de outubro entregarem
um Senado moldado pela indignação popular, o Supremo descobrirá que o temor
pode ser útil para silenciar os fracos, mas fatal numa dose que alcance e
contamine de ódio seus representantes.