Fala acre de Alan Rick, quantas famílias enganadas pelo instituto Léo Moura no Acre?
Que bom que agora tem o fala Acre para tirar as duvidas e denunciar os desmando dos políticos sujos na justiça também parabéns
Por: Edilberto Araújo | 06/05/2026
(Manuel José Vieira Tosta, o marquês de Muritiba, permaneceu no Senado por 38 anos. Foi o mais longevo no período imperial. Retrato de Sébastien Auguste Sisson.Reprodução)
Quem reclama hoje que o Congresso
não representa o povo deveria olhar para 1826. Na primeira legislatura
brasileira, a maior parte do povo não podia votar, não podia ser eleita e não
tinha qualquer voz institucional. Mulheres estavam fora das urnas. Pessoas
escravizadas estavam fora da cidadania. Pobres sem renda mínima eram excluídos.
O voto era indireto. O Senado era vitalício. O imperador escolhia senadores. A
religião oficial era a católica. O país era monárquico, escravista e
profundamente desigual.
Mesmo assim, foi naquele
Parlamento limitado e elitista, instalado em 6 de maio de 1826, que começou a
história institucional do Congresso Nacional. Duzentos anos depois, o Brasil
tem uma República, eleições diretas, partidos, transmissões ao vivo, bancadas
temáticas, 513 deputados e 81 senadores. Mudou quase tudo. Mas algumas
perguntas continuam vivas: quem o Congresso representa? Quem manda mais, o
Executivo ou o Legislativo? As regiões têm peso equilibrado? Prerrogativa
parlamentar é proteção ou privilégio?
Principais mudanças que
acompanharam o Congresso em 200 anos
De 152 para 594 parlamentares
O primeiro Parlamento brasileiro
tinha 152 integrantes: 102 deputados e 50 senadores. Hoje, o Congresso Nacional
tem 594 parlamentares: 513 deputados federais e 81 senadores.
Em 1826, o Brasil era dividido em
províncias. A primeira legislatura representava 19 delas, incluindo a
Cisplatina, que depois se tornaria o Uruguai. Hoje, o Congresso representa 26
Estados e o Distrito Federal.
A maior bancada da Câmara em 1826
era Minas Gerais, com 20 deputados. Bahia e Pernambuco tinham 13 cada. São
Paulo tinha nove. Ceará e Rio de Janeiro, oito. Hoje, São Paulo é a maior
bancada da Câmara, com 70 deputados. Essa mudança revela a transformação
econômica, demográfica e política do país ao longo de dois séculos.
De províncias a Estados
No Império, as províncias tinham
autonomia limitada. O poder era concentrado na Corte, no Rio de Janeiro, e na
figura do imperador.
Com a República, proclamada em
1889, as antigas províncias se transformaram em Estados. A Constituição de 1891
deu às Casas legislativas os nomes que permanecem até hoje: Congresso Nacional,
formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. A Câmara destaca que foi a
Constituição republicana de 1891 que consolidou os nomes atuais das Casas do
Legislativo.
A mudança alterou o sentido do
Senado. No Império, a Casa era vitalícia, aristocrática e moderadora. Na
República, passou a ser a Casa da Federação.
Do Senado vitalício ao mandato
temporário
Em 1826, senador não tinha prazo
para deixar o cargo. O mandato era vitalício.
A escolha também era muito
diferente. As províncias votavam listas tríplices, mas o imperador escolhia
qual dos três nomes assumiria a cadeira. Além disso, o candidato precisava ter
pelo menos 40 anos, renda elevada e reputação de "saber, capacidade e
virtudes". No Império, o deputado era escolhido pelo voto dos eleitores,
enquanto o senador era nomeado pelo imperador a partir da lista dos três mais
votados em cada província.
Hoje, senadores são eleitos
diretamente pelo voto popular para mandatos de oito anos. A cada eleição,
renova-se um terço ou dois terços da Casa. O Senado continua sendo mais estável
que a Câmara, mas deixou de ser vitalício e dependente da escolha imperial. A
legitimidade passou do trono para as urnas.
Ex-presidente das províncias do
Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e Pernambuco, Manuel José Vieira Tosta, o
marquês de Muritiba, permaneceu no Senado por 38 anos. Foi o mais longevo no
período imperial. Sua passagem só seria superada recentemente pelo
ex-presidente José Sarney, que passou 40 anos na Casa, eleito pelo voto
popular.
O Executivo continua no centro da
disputa
Em 1826, o Parlamento nasceu sob
influência direta de dom Pedro I. O imperador fazia a Fala do Trono, nomeava
ministros, sancionava leis, escolhia senadores e exercia o Poder Moderador.
Hoje, não há imperador nem Poder
Moderador. Mas a relação entre Executivo e Legislativo continua sendo o eixo
central da política nacional. Presidentes dependem do Congresso para aprovar
leis, reformas, orçamento, medidas provisórias, indicações e acordos políticos.
Parlamentares dependem da negociação com o governo para influenciar políticas
públicas, liberar recursos e atender bases eleitorais.
A forma mudou. A tensão
permaneceu.
O que mudou e o que ficou
Mudou quase tudo: o regime, o
eleitorado, o tamanho das Casas, os partidos, a duração dos mandatos, a
estrutura de trabalho, a relação com a imprensa, a cidadania e a forma de
votar.
Mas algumas permanências
atravessam os séculos. Permanece o bicameralismo. Permanecem as comissões.
Permanece a disputa entre governo e oposição. Permanece o peso das regiões.
Permanece a tensão entre prerrogativa e privilégio. Permanece a cobrança por transparência.
Permanece a pergunta sobre representação.
O Parlamento de 1826 nasceu
excludente, elitista e tutelado pelo trono. O Congresso de 2026 é maior, eleito
pelo voto popular e parte de uma democracia constitucional. A distância entre
os dois é imensa. Mas a pergunta essencial continua a mesma: quem fala em nome
do Brasil, e para quem o poder realmente trabalha?