Condenações por corrupção e o desafio à confiança do eleitor acreano
Debates sobre candidaturas de políticos condenados reacendem discussões sobre a Lei da Ficha Limpa, a confiança nas instituições e a responsabilidade do voto nas eleições de 2026.
Por: Edilberto Araújo | 21/07/2026
Se os governos olhassem para o agricultor o Acre era uma potencia (Foto: Radar News Diário)
O setor agrícola do Acre acaba de
registrar uma marca histórica em 2026. Segundo dados oficiais do Levantamento
Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado pelo IBGE, a estimativa da safra geral de
grãos e lavouras temporárias do
estado avançou expressivos 9,9%, superando a marca histórica de 205,5 mil toneladas. Esse resultado robusto, no entanto,
não é fruto de políticas públicas eficientes ou de investimentos
estatais, mas sim da resiliência e da força do braço do trabalhador rural acreano, que atua de forma incansável no
campo.
A liderança isolada dos
produtores levanta um questionamento inevitável: como seria a produção se os
governos do Acre dessem o devido incentivo e suporte técnico a quem está na
terra? O potencial desperdiçado fica nítido quando analisamos o desempenho individual
das culturas.
A mandioca, pilar da alimentação
local e da agricultura familiar, registrou o maior avanço absoluto em volume no
estado, saltando de 494,3 mil toneladas para 622,5 mil toneladas. Já o café da
espécie Canephora, cultivado majoritariamente em propriedades com menos de 20
hectares, teve uma alta de 5,1% (atingindo 6,9 mil toneladas), garantindo ao
Acre o 5º maior crescimento de produção cafeeira de todo o país.
O contraste dos grãos e o
abandono de culturas tradicionais
Mesmo sem assistência estrutural
do Estado, os trabalhadores também empurraram para cima as fronteiras dos
grãos. O milho registrou um avanço de 11,4%, saltando de 123,2 mil para 137,2
mil toneladas. A soja, que passou a liderar a pauta de exportações do estado no
primeiro semestre deste ano, cresceu 8,5%, alcançando 61,4 mil toneladas.
Por outro lado, o preço do
descaso governamental cobra o seu preço nas culturas mais tradicionais que
abastecem diretamente a mesa do povo acreano. Sem crédito e sem incentivos
fiscais para o pequeno produtor, culturas essenciais sofreram duras retrações:
O arroz despencou 6,1%,
encolhendo para apenas 3.989 toneladas.
O feijão registrou queda severa
de 2,1%, reduzindo-se a pífias 769 toneladas produzidas.
Frutas tradicionais como a banana
(-2,7%) e a laranja (-1%) também fecharam o período em declínio.
A falta de assistência técnica e
mecanização em massa é vista por especialistas como uma falha histórica
intolerável para um estado jovem, onde a agricultura e a segurança alimentar da
população nunca receberam a devida prioridade dos governantes.
O Risco da Desindustrialização e
o Cenário Político
A ausência de um projeto sólido
de desenvolvimento projeta um futuro preocupante, desenhando um estado
potencialmente mais pobre tanto na agricultura quanto na industrialização. O
debate ganha urgência diante do atual cenário eleitoral, onde pesquisas de
intenção de voto tentam consolidar a liderança de pré-candidatos que carregam
históricos polêmicos.
Uma grande parte da população das
áreas rurais apontam que o nome colocado em evidência nas sondagens de opinião
pública enfrenta graves acusações de corrupção e desvios de recursos antes
mesmo de assumir qualquer compromisso oficial. Esse histórico compromete
diretamente a viabilidade de construir um Acre forte na pecuária, na
agricultura e na indústria, uma vez que a má gestão de verbas sufoca o
potencial de novos investimentos e impede a atração de indústrias para
processar internamente o que o estado colhe.
O argumento é que tem maquinário,
mas a realidade é que na verdade não chega para o verdadeiro agricultor que
precisa, outro fator que chama atenção é que os governos não se preocupam em
dar assistência técnica ao produtor rural só fica no papel a realidade é outra,
ou seja, é só mídia por parte dos governantes.
Para os trabalhadores do setor
produtivo e movimentos sociais, a perpetuação de práticas ligadas à corrupção
impede a modernização do campo. O atual momento exige uma reflexão profunda por
parte da população acreana, que ainda tem tempo de avaliar o histórico dos
postulantes aos cargos públicos para decidir os rumos do desenvolvimento
econômico e social do estado. O povo precisa acordar: a força para crescer está
no trabalhador, mas o voto consciente é o que impede a riqueza de sumir nos
ralos da corrupção.