Condenações por corrupção e o desafio à confiança do eleitor acreano
Debates sobre candidaturas de políticos condenados reacendem discussões sobre a Lei da Ficha Limpa, a confiança nas instituições e a responsabilidade do voto nas eleições de 2026.
Por: Edilberto Araújo | 07/07/2026
(Foto divulgação)
A defesa da empresária Roberta
Luchsinger pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça
que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste pelo arquivamento da
investigação contra ela no caso da Farra do INSS.
Alvo da Operação Sem Desconto,
que investiga o roubo de aposentados e pensionistas, Luchsinger foi submetida a
busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e ao uso de tornozeleira
eletrônica.
Na petição enviada ao Supremo, os
advogados sustentam que a empresária passou a ser investigada apenas por manter
uma “amizade íntima” com o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,
filho de Lula (PT). A defesa afirma que não há mais elementos que justifiquem a
continuidade das investigações.
“A atração artificial da
peticionária para o presente caso tem um motivo determinante: sua amizade
íntima com o filho do atual presidente da República”, alegam os advogados.
Segundo a defesa, os depoimentos
colhidos ao longo da investigação confirmam a efetiva prestação dos serviços
contratados e não apontam qualquer evidência de repasses financeiros a Lulinha.
Também argumentam que a investigação extrapolou seu objeto inicial e passou a
buscar novos fatos sem base concreta.
De acordo com a petição, após não
encontrar elementos que sustentassem a hipótese original, a PoF ampliou a
apuração para a vida privada da empresária, incluindo amizades e relações
pessoais. No documento, a defesa classifica esse procedimento como “fishing
expedition”, expressão jurídica utilizada para definir investigações genéricas
conduzidas na expectativa de encontrar algum elemento incriminador.
Os advogados da amiga do filho do
petista ainda citam precedentes do próprio Supremo para sustentar que esse tipo
de prática é vedado e afirmam que a investigação deixou de se concentrar em
fatos relacionados ao esquema no INSS para promover uma devassa na vida pessoal
da empresária lulista.
A investigação da PF apura se
Lulinha teria utilizado Luchsinger como intermediária para receber valores de
Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, preso
desde setembro do ano passado.