Por: Edilberto Araújo | 27/05/2026
Só para de roubar os velhinhos quando expulsar a esquerda do poder (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
Um vazamento recente de dados no
sistema do INSS expôs 2,8 milhões de CPFs, informou ontem (26) a Dataprev,
estatal responsável pelo processamento de informações da Previdência Social. Os
dados foram apresentados durante reunião do Conselho Nacional da Previdência
Social (CNPS).
Segundo a empresa, cerca de 98%
dos registros acessados pertenciam a pessoas já falecidas. Ainda assim,
aproximadamente 52 mil segurados vivos tiveram informações expostas durante o
incidente de segurança ocorrido em abril.
O número divulgado pela Dataprev
supera a estimativa inicial apresentada por técnicos do Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS), que falavam em cerca de 2 milhões de registros afetados.
De acordo com a estatal, os
acessos indevidos envolveram CPFs e datas de nascimento de segurados. A empresa
explicou que um mesmo CPF pode ter sido consultado mais de uma vez, o que
inflou o volume total de acessos identificados.
Segundo a Dataprev, não houve
concessão indevida de benefícios nem contratação automática de empréstimos
consignados.
A investigação preliminar aponta
que a falha ocorreu no sistema do aplicativo Meu INSS. Segundo Edmar dos Santos
Ferreira Junior, representante da Dataprev no CNPS, uma área que deveria exigir
autenticação acabou ficando acessível sem login.
“Era uma consulta que estava
dentro de uma interface logada, mas ela aceitava uma resposta para quando você
estivesse em um ambiente público”, afirmou. Segundo ele, a vulnerabilidade
permaneceu ativa por apenas um dia.
A Dataprev informou que a falha
foi corrigida após a identificação do problema e afirmou ter implementado novos
mecanismos para impedir consultas simultâneas em massa.
“Como medida de proteção
adicional, a Dataprev implementou novos controles de segurança com limites de
acesso”, informou a estatal.
Em nota, o INSS afirmou que a
concessão de benefícios possui diferentes etapas de validação e segurança. “A
concessão de qualquer benefício possui uma série de travas de segurança. O INSS
tem reforçado seus controles internos a fim de oferecer maior segurança à
análise de seus benefícios”.
O vazamento foi identificado em
22 de abril, mas só veio a público na semana passada. Segundo Dataprev e INSS,
a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi acionada logo após a
descoberta da falha.
Especialistas em segurança
digital alertam que dados vazados podem ser usados em golpes e fraudes
financeiras. O banco de dados do INSS reúne informações pessoais de
aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, incluindo
vínculos empregatícios e dados cadastrais.
Não é a primeira falha de
segurança envolvendo sistemas do INSS. Em 2024, o instituto confirmou outro
incidente que expôs informações sigilosas de aposentados e beneficiários de
programas assistenciais. Na ocasião, o governo também afirmou ter reforçado os
mecanismos de proteção dos sistemas previdenciários.