Aluno faz vídeo denunciando o descaso com escola da zona rural em Porto Walter Acre
O descaso toma conta de escola em Porto Walter e pais de alunos ficam apavorados
Por: Edilberto Araújo | 15/04/2026
Aprovação de Messias ao STF é uma vergonha e uma traição ao eleitor brasileiro. (Foto: Radar News Diário)
O Senado brasileiro se encontra,
pela terceira vez neste atual mandato presidencial, diante de uma de suas
responsabilidades mais graves: avaliar a indicação de um novo ministro para o
Supremo Tribunal Federal. Nesta quarta-feira, o senador Weverton Rocha (PDT-MA)
deve ler, na Comissão de Constituição de Justiça, o seu relatório sobre a
indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias; duas semanas depois,
em 29 de abril, deve ocorrer a sabatina, também na CCJ, seguida pelas votações
na comissão e no plenário da casa.
O que os senadores decidirem terá
consequências graves sobre o equilíbrio institucional do país, a própria
democracia e o Estado de Direito não só no curto, nem no médio prazo, mas por
décadas. E é por isso que, desta vez, o Senado precisa ter a decência de fazer
o que não fez nas outras duas ocasiões em que foi chamado a avaliar indicações
de Lula ao Supremo desde o início deste mandato: dizer “não” ao nome escolhido
pelo petista.
A indicação de Jorge Messias deve
ser rejeitada. Aprovar essa nomeação é uma traição ao país. A sabatina precisa
ser respeitosa, como convém a uma instituição republicana, mas também precisa
ser clara, incisiva e intelectualmente honesta, porque só assim os motivos
dessa rejeição se tornarão evidentes aos olhos de todos os brasileiros. Dentre
esses motivos, três se destacam: seu posicionamento em temas cruciais para o
país; sua formação e trajetória; e (talvez o mais grave) o contexto político da
indicação.
“Messias é parte integrante e
ativa no atual modelo disfuncional que o país vive, contribuindo para o fim da
liberdade de expressão no Brasil”
Em temas fundamentais, que tocam
o núcleo da ordem constitucional e da própria ideia de justiça, como o
equilíbrio entre os poderes, o devido processo legal e a liberdade de
expressão, não seria suficiente que o indicado simplesmente não tivesse feito
ou dito nada de problemático; o país inteiro deseja compromisso público e
inequívoco, claro e firme. Quando esse compromisso não se manifesta de forma
transparente, o silêncio não tranquiliza: ele preocupa. Mas, com Jorge Messias,
o problema vai muito além da omissão. O escolhido de Lula para o STF é parte
integrante e ativa no atual modelo disfuncional que o país vive, em especial em
iniciativas estatais voltadas, por exemplo, a reprimir a liberdade de
expressão, por meio do monitoramento e da repressão de conteúdos sob o rótulo
de “desinformação”.
É dentro da Advocacia-Geral da
União, chefiada por Messias, que está a Procuradoria Nacional da União de
Defesa da Democracia, um dos órgãos do “Ministério da Verdade” que une o
governo Lula e o Supremo. Essa procuradoria já perseguiu jornalistas e processou
a produtora Brasil Paralelo por causa do documentário sobre Maria da Penha.
Messias também é um defensor da chamada “regulação das mídias sociais”, o
eufemismo para a censura ou a autocensura na internet. Como, então, é possível
que algum senador pense em aprovar o nome indicado por Lula, quando se trata de
alguém que deveria ser, no Supremo, um guardião das liberdades fundamentais,
especialmente da liberdade de expressão, mas na verdade é seu algoz?
Em segundo lugar, há a questão da
formação e da trajetória. O Supremo Tribunal Federal exige mais do que
qualificação técnica. Exige densidade intelectual, maturidade jurídica e,
sobretudo, independência de espírito a capacidade de resistir às pressões do
momento, aos interesses de ocasião e às expectativas do poder que indica. Não
se trata apenas de saber jurídico e a Constituição não exige qualquer saber
jurídico, mas notável saber jurídico. Trata-se de estatura institucional, que
falta ao indicado. Messias não tem trajetória robusta na magistratura, nem é
referência acadêmica em área alguma do Direito não obstante as barbaridades
cometidas nos últimos anos, ao menos Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, para
citar dois exemplos, já eram nomes importantes do Direito Constitucional antes
de entrarem no STF. Messias, por outro lado, só se tornou conhecido como o
garoto de recados de Dilma Rousseff, o “Bessias” que levaria a Lula um termo de
posse como ministro, em um desvio de finalidade para que ele ganhasse foro
privilegiado e escapasse da Lava Jato em Curitiba.
Em terceiro lugar (e, como
dissemos, talvez o aspecto mais grave) está o contexto político da indicação.
Ela parte de um governo que carrega, em sua trajetória, episódios graves de
corrupção. Nesse cenário, a exigência de independência do indicado não é apenas
desejável: é indispensável. E independência não se presume; independência se
demonstra por atos, por posições, por coragem pública. Messias é o terceiro
aliado político ou ideológico que Lula indica ao Supremo só neste mandato,
depois do seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, e do seu ministro da Justiça,
Flávio Dino. Trata-se de alguém profundamente inserido no aparato governamental
e associado a práticas que suscitam preocupação justamente naquilo que mais
importa: a proteção das liberdades e o respeito aos limites do poder.
Absolutamente nada, portanto,
justifica a aprovação do indicado pelo presidente. Nem mesmo o argumento de
que, uma vez rejeitada a indicação, Lula poderia dobrar a aposta e escolher
alguém ainda mais comprometido com seu projeto de poder serviria de desculpa.
Raciocinar assim seria inverter completamente a lógica da responsabilidade
institucional. Quando o retorno à normalidade está em jogo, não cabe aos
senadores fazer apostas estratégicas sobre cenários futuros, mas cumprir seu
papel e aprovar apenas quem estiver claramente à altura da função. É
cristalino: se Messias for rejeitado e Lula apresentar um candidato ainda pior,
que seja também recusado, até que o presidente da República aprenda a lição.