O presidente da Bolívia, Rodrigo
Paz, classificou na última segunda-feira (16) o Primeiro Comando da Capital
(PCC) e o Comando Vermelho (CV) como parte de um “ciclo de terrorismo”. A
declaração foi dada durante visita oficial ao Brasil, no Palácio do Itamaraty,
enquanto se encontrava com o presidente Lula (PT).
“Hoje em dia, nossa sociedade
está mais livre e, especialmente, Santa Cruz de la Sierra, que sofreu de forma
direta o abuso destas organizações que geram terrorismo”, afirmou Paz. Ele
destacou a prisão do narcotraficante Sebastián Marset, capturado na últma sexta-feira
(13) e ligado ao PCC, dizendo que o líder gerava “terrorismo, instabilidade e
submissão” na Bolívia.
Rodrigo Paz também fez críticas
diretas ao Brasil: “Temos um problema com o Brasil, que nos exporta violência”.
Ele afirmou que o diálogo com Lula sobre o tema foi “muito franco, direto e
muito aberto” e que ambos os países buscam “objetivos em comum para solucionar
esses problemas”.
O encontro entre os presidentes
resultou na assinatura de acordos para intensificar o combate ao crime
organizado transnacional. Entre as medidas estão a troca de informações,
cooperação policial, combate ao tráfico de drogas e pessoas, contrabando, lavagem
de dinheiro e crimes ambientais. Também foram firmados memorandos nas áreas de
turismo, energia e construção da ponte binacional sobre o rio Mamoré, entre
Guajará-Mirim (RO) e Guayaramerín (Bolívia).
Lula, por sua vez, destacou a
importância da integração econômica: “Precisamos atuar para ampliar nosso
intercâmbio, que ainda está aquém do potencial. Setores como alimentos,
sementes, frutas, algodão e biocombustíveis têm grande oportunidade”.
A posição de Paz reforça o
alinhamento com a direita regional, semelhante à postura do presidente do
Paraguai, Santiago Peña, e contrasta com a avaliação de Lula sobre a designação
de facções brasileiras como organizações terroristas.
Durante a visita, Paz reiterou
que a Bolívia tem avançado no combate a facções: “O grau de classificação do
terrorismo é múltiplo, é diverso. Para nós, ter feito o que fizemos é central
para nossa missão contra o crime organizado, contra as máfias, mas contra o
terrorismo, porque são parte de um ciclo de terrorismo”.
O presidente boliviano permanece
em visita oficial ao Brasil até hoje terça-feira (17), quando participará de
fórum empresarial em São Paulo.