O Voto Comprometido e o Preço da Impunidade: Até Quando o Brasil e o Acre Vão Sustentar Corruptos?
A inversão de valores na urna reflete o colapso dos serviços básicos, deixando o cidadão de bem refém de políticos condenados e do crime organizado.
Por: Nesio Carvalho Mendes | 10/06/2026
Esse é nosso Brasil atual (Foto: Radar News Diário)
O artigo 173 do Código Penal
Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940) tipifica o crime de abuso de incapazes,
caracterizado pela exploração da vulnerabilidade de alguém para obtenção de
vantagem patrimonial.
Recentemente, deparei-me com um
veículo cuja placa terminava nos números 173. Imediatamente me lembrei desse
artigo do Código Penal e passei a refletir sobre uma questão que certamente
despertará debates: será que o Estado brasileiro não deveria ser analisado sob
uma ótica semelhante quando se trata da relação com o contribuinte?
Por quê?
O Estado arrecada uma parcela
significativa da riqueza produzida pelos cidadãos por meio dos impostos. Basta
observar o caso de quem trabalha para adquirir um veículo. No momento da
compra, uma parte considerável do valor pago corresponde à carga tributária. No
Brasil, os tributos incidentes sobre veículos novos podem representar de
aproximadamente 33% a mais de 50% do preço final, dependendo do modelo, da
motorização e da origem do veículo.
Além disso, se os faróis do
veículo estiverem danificados, o motorista poderá ser multado. Em determinadas
situações, o veículo pode ser removido por guincho, gerando ainda mais custos
ao proprietário, que terá de arcar com despesas de remoção e diárias em pátio
credenciado.
A mesma lógica ocorre com os
imóveis. Quem compra uma casa ou um terreno precisa pagar o ITBI para
formalizar a transferência da propriedade. Posteriormente, deve recolher
anualmente o IPTU. Caso esse imposto deixe de ser pago por um longo período, a
dívida poderá ser cobrada judicialmente por meio de execução fiscal, podendo
resultar na penhora e até mesmo no leilão do imóvel para quitação dos débitos.
Enquanto isso, o Estado continua
ampliando sua arrecadação. Na visão de muitos cidadãos, entretanto, esse
crescimento nem sempre é acompanhado pela melhoria dos serviços públicos ou
pela criação de oportunidades que beneficiem a população. Essa percepção
alimenta críticas ao modelo de gestão dos recursos públicos e aos privilégios
existentes em determinados setores da administração.
Mas muitos leitores poderão
questionar: os impostos não são necessários?
Sem dúvida, toda sociedade
organizada depende da arrecadação para financiar serviços públicos. A questão
central está em saber se o retorno oferecido ao contribuinte é compatível com
aquilo que lhe é cobrado.
O Estado garante rodovias de
qualidade para todos os cidadãos?
O Estado garante segurança
suficiente para que as pessoas possam ir e voltar para casa com tranquilidade?
O Estado garante acesso universal
a uma saúde eficiente e de qualidade?
O Estado garante uma educação
pública capaz de formar cidadãos preparados para os desafios do futuro?
O Estado garante espaços
adequados de lazer, cultura e convivência para as famílias?
São perguntas que permanecem
presentes no debate público e que merecem reflexão.
Outra questão frequentemente
levantada pela população é o combate à corrupção. Muitos brasileiros se
perguntam por que tantos casos de desvio de recursos públicos parecem resultar
em poucas punições efetivas. Para os críticos do sistema, isso ocorre porque
aqueles que ocupam posições de poder exercem influência sobre as estruturas
responsáveis pela elaboração, aplicação e fiscalização das leis.
Independentemente da posição
ideológica de cada cidadão, uma coisa é certa: a relação entre o Estado e o
contribuinte deve ser constantemente debatida. Afinal, em uma democracia, o
cidadão não deve ser apenas fonte de arrecadação, mas também destinatário dos
benefícios proporcionados pelos recursos que entrega ao poder público.
Quando o contribuinte percebe que
paga cada vez mais e recebe cada vez menos, cresce a sensação de que trabalha
não para prosperar, mas apenas para sustentar uma estrutura que parece distante
de suas necessidades. E é justamente essa percepção que alimenta a insatisfação
de milhões de brasileiros.
Artigo 173: Por Nésio Carvalho