Alta do bezerro atinge o maior patamar histórico em 2026 15,15/kg: e reacende ciclo de alta na pecuária

Com oferta restrita, retenção de fêmeas e demanda firme, mercado da cria ganha força em 2026

Por: Edilberto Araújo | 06/03/2026

Alta do bezerro atinge o maior patamar histórico em 2026 15,15/kg: e reacende ciclo de alta na pecuária

(Foto: Faz. Elge )

Com oferta restrita, retenção de fêmeas e demanda firme, mercado da cria ganha força em 2026 e pressiona margens da recria e da engorda; Bezerro vai romper os R$ 20,00/kg? O mercado da reposição entrou oficialmente em um novo patamar em 2026. O preço do bezerro voltou a renovar máximas nominais históricas, consolidando um movimento de valorização iniciado no final de 2024 e que já soma cerca de 15 meses consecutivos de avanço.

Em diversas praças, o animal de desmama (6 a 7 arrobas) já é negociado próximo de R$ 15,30/kg, enquanto em Mato Grosso o bezerro de sete arrobas foi cotado a R$ 438,34/@ na segunda semana de fevereiro, com alta mensal de 5,17%. A pergunta que ecoa na pecuária é direta: essa valorização ainda tem espaço para avançar ou o mercado já está próximo do limite?

Os dados históricos mostram que os ciclos pecuários seguem padrões relativamente claros e entender esses movimentos é essencial para interpretar o momento atual.

Bezerro valendo mais de R$ 20,00/kg no horizonte? Quando se observa o histórico completo, o cenário fica mais interessante. O preço do bezerro, avaliado em reais por arroba, renovou a máxima nominal histórica na parcial de fevereiro de 2026, segundo análise do Farmnews com dados do Cepea.

Contudo, há um detalhe importante: apesar dos recordes nominais, a intensidade da alta ainda está abaixo do ciclo anterior (2020/2021). No ciclo passado, a valorização anual chegou a superar 70%. No ciclo atual, o pico da variação anual ficou pouco acima de 40%.

Isso indica que: O movimento atual é mais gradual e menos concentrado; A alta pode ser mais longa no tempo, mas menos explosiva; Ainda não houve um “estouro” típico de final de ciclo. Historicamente, cada ciclo pecuário supera o pico anterior em termos nominais. Se esse padrão se repetir, patamares acima de R$ 20,00/kg não são impossíveis ao longo do ciclo, especialmente se a retenção de fêmeas continuar reduzindo a oferta de bezerros.

Ágio recorde e oferta restrita sustentam preços outro indicador-chave é o ágio do bezerro sobre o boi gordo. Em Mato Grosso, o ágio alcançou 44,78% em fevereiro, reflexo da menor disponibilidade de animais de reposição e da demanda firme. Esse percentual evidencia o forte poder da cria no atual momento do ciclo. Em São Paulo, apesar de uma leve acomodação mensal, o ágio ainda está 52% acima do registrado em fevereiro de 2025, mostrando que estruturalmente o mercado segue aquecido. Além disso, a Scot Consultoria aponta que: As chuvas melhoraram a capacidade de suporte das pastagens; A valorização do boi gordo sustenta o otimismo; os preços atuais não eram vistos desde 2021/2022 (em valores nominais).

Relação de troca: recria ainda pressionada embora o bezerro esteja firme, o comportamento do boi gordo também influencia diretamente a reposição.

Em Goiás, segundo levantamento citado pela Scot: São necessárias 14,4 arrobas de boi gordo para comprar um boi magro; 12,0 arrobas para um garrote; 10,5 arrobas para um bezerro de ano; 8,9 arrobas para um bezerro de desmama . Ou seja, o poder de compra melhorou para algumas categorias, mas segue pressionado no comparativo anual. O recriador e o invernista precisam fazer contas com margem apertada. Onde o bezerro está mais valorizado e onde está mais barato?

Com o mercado firme e oferta restrita, os preços da reposição avançaram de forma generalizada. Mas as diferenças entre estados continuam relevantes e impactam diretamente a estratégia de compra e venda. Com base na tabela de cotações da Scot Consultoria (macho Nelore bezerro de 12 arrobas), o ranking de preços por cabeça mostra onde o animal está mais valorizado e onde ainda há oportunidade de compra.

🏆 Ranking do Bezerro – Mais caro para o mais barato (R$/cabeça)

1️ São Paulo (SP) – R$ 3.440,80

2️ Mato Grosso (MT) – R$ 3.425,20

3️ Tocantins (TO) – R$ 3.415,00

4 Pará (PA) – R$ 3.300,00

5️ Goiás (GO) – R$ 3.166,00

6️ Minas Gerais (MG) – R$ 3.355,20

7️ Mato Grosso do Sul (MS) – R$ 3.636,30*

8️  Bahia (BA) – R$ 3.205,00

9️ Rondônia (RO) – R$ 3.233,40

10 Rio de Janeiro (RJ) – R$ 3.000,00 *Obs.: MS aparece como uma das praças mais valorizadas, refletindo forte demanda regional.

 Em termos de R$/kg mais valorizado: Mato Grosso do Sul – R$ 15,15/kg menos valorizado: Rio de Janeiro – R$ 12,50/kg

O que explica essa diferença?  

São Paulo e MS concentram forte demanda de recria e engorda intensiva, além de logística favorecida para frigoríficos.  

Estados do Norte e parte do Nordeste ainda apresentam valores ligeiramente menores, reflexo de maior oferta local e menor pressão industrial imediata. Essa diferença regional impacta diretamente a relação de troca e o custo da reposição. Em mercados mais valorizados, a margem da recria fica mais apertada, mas, por outro lado, reforça o bom momento da cria.

Estamos abaixo do pico real?

Um ponto técnico relevante é a análise em termos reais (descontada a inflação). Apesar das máximas nominais, quando deflacionado, o preço do bezerro ainda não superou com folga o pico real anterior. Isso sugere que o mercado ainda não atingiu o topo estrutural do ciclo, reforçando o argumento de continuidade. Além disso, como lembra o Farmnews, em todos os ciclos anteriores a máxima superou o pico precedente. Esse padrão histórico sustenta o viés altista. O que pode levar o bezerro ainda mais longe?

Alguns fatores estruturais podem ampliar o movimento:

1. Retenção de fêmeas: Com a cria mais rentável, produtores tendem a segurar matrizes, reduzindo ainda mais a oferta de bezerros.

2. Exportações firmes de carne bovina: Caso o boi gordo siga valorizando com suporte do mercado externo, a reposição acompanha.

3. Ciclo pecuário clássico: Menor oferta atual gera escassez futura, reforçando preços ao longo do ciclo.

4. Custo de produção estabilizado: Com milho e insumos mais acomodados, há maior previsibilidade para recria e engorda.

Até onde pode chegar?

Se o ciclo atual repetir o comportamento histórico: O movimento pode ser mais longo e consistente; A valorização pode ainda não ter atingido o pico estrutural; Patamares nominais inéditos podem ser registrados.

No entanto, o ritmo tende a depender da sustentação do boi gordo. Caso o animal terminado desacelere, o ágio pode se ajustar, limitando o avanço da reposição. Hoje, o cenário é claro: a cria vive seu melhor momento desde 2021/2022, o mercado está firme, a oferta é restrita e os indicadores históricos sugerem que ainda pode haver espaço para novas máximas.

A grande dúvida não é mais se o bezerro está em alta. A pergunta agora é: quanto tempo esse ciclo ainda vai durar e quem vai capturar melhor essa valorização?