Condenações por corrupção e o desafio à confiança do eleitor acreano
Debates sobre candidaturas de políticos condenados reacendem discussões sobre a Lei da Ficha Limpa, a confiança nas instituições e a responsabilidade do voto nas eleições de 2026.
Da Redação | 15/07/2026
A verdade nada fazem (Foto: Carlos Alexandre/Secom-AC)
A Assembleia Legislativa do Acre
(ALEAC) tem entre suas principais atribuições legislar e fiscalizar a aplicação
dos recursos públicos e a execução dos serviços prestados pelo Estado. No
entanto, cresce entre parte da população o questionamento sobre o quanto essa
função fiscalizadora tem sido exercida de forma efetiva pelos deputados
estaduais ou não.
A percepção de muitos cidadãos é
de que a presença dos parlamentares nas unidades de saúde ocorre, na maioria
das vezes, durante inaugurações, solenidades oficiais ou anúncios de emendas
parlamentares. Já visitas de fiscalização, especialmente durante a madrugada ou
no início da noite períodos em que hospitais e unidades de saúde também
enfrentam desafios no atendimento são consideradas pouco frequentes.
Situação semelhante é apontada em
relação às escolas estaduais. Há quem afirme que a presença de deputados nas
instituições de ensino é rara, o que acaba refletindo no distanciamento entre
representantes e sociedade. Em muitas escolas, segundo essa avaliação,
estudantes sequer conhecem a maioria dos deputados estaduais que os
representam.
Esse cenário alimenta críticas
sobre a falta de aproximação entre os parlamentares e a população acreana,
especialmente com os jovens. Para esses críticos, o contato entre
representantes e representados acaba se intensificando apenas durante os
períodos eleitorais, quando candidatos buscam convencer o eleitorado da
importância de sua permanência na vida pública.
Outro ponto levantado é a
necessidade de uma fiscalização mais presente nos serviços essenciais.
Perguntas como "o aparelho de raio-X está funcionando?", "há
médicos suficientes para atender a população?" ou "as escolas possuem
estrutura adequada?" fazem parte das demandas que muitos cidadãos esperam
ver acompanhadas de perto pelos deputados estaduais.
As críticas também alcançam a
zona rural. Agricultores esperam maior acompanhamento por parte dos
parlamentares para verificar se a assistência técnica está chegando ao campo,
se existem políticas de incentivo à produção e se o Estado oferece condições adequadas
para o escoamento da produção agrícola.
Diante desse contexto, cresce o
entendimento entre alguns setores da sociedade de que o mandato parlamentar
deve ir além da atuação nas sessões da Assembleia. Para esses cidadãos,
acompanhar a realidade vivida por pacientes, estudantes, servidores públicos e
produtores rurais é uma das formas de fortalecer a fiscalização e aproximar o
Poder Legislativo das necessidades da população.
Com a aproximação de mais um
período eleitoral, o debate sobre a atuação dos representantes públicos tende a
ganhar força. Para muitos eleitores, o momento é de avaliar o histórico de cada
parlamentar, observando sua presença nas comunidades, seu trabalho de
fiscalização e os resultados concretos apresentados ao longo do mandato.
Diante desse cenário, cabe ao
eleitor refletir sobre o desempenho de seus representantes. Se um parlamentar
pouco fiscalizou hospitais, escolas, comunidades rurais e outros serviços
públicos durante o mandato, a população pode questionar se ele cumpriu plenamente
o papel para o qual foi eleito. Afinal, uma das principais funções de um
deputado estadual é representar os interesses da sociedade, acompanhar de perto
a qualidade dos serviços públicos e cobrar soluções do Poder Executivo. Em
período eleitoral, essa avaliação se torna parte do processo democrático,
permitindo que cada cidadão analise o histórico de atuação dos candidatos antes
de decidir seu voto.